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A história da minha paixão por cavernas

Cheguei à fotografia através do curso de espeleologia. Foi dentro das cavernas que comecei a aprender os mistérios da sombra e da luz

8 de novembro de 2012 · 14 anos atrás
  • Adriano Gambarini

    Fotógrafo profissional desde 1991. Vencedor do Prêmio Comunique-se, é geólogo de formação, com especialização em história natural e espeleologia, autor de 20 livros e diretor de dezenas de documentários. →

Salão Nirvana, na Caverna de Santana., SP Uma pequena pausa para fotografia durante mapeamento, em 1992. Foto: Adriano Gambarini.

Nasci numa família de viajantes. Os anos eram divididos entre viagens de fim de semana e as tão esperadas férias de verão, onde os dias eram desenhados na janela do carro, pelas estradas do Brasil afora, e vividos em acampamentos em praias desertas.

Entre os caminhos percorridos em busca de lugares desconhecidos, montanhas e vales, certo dia nos deparamos com a Caverna do Diabo. Minha visão juvenil foi para sempre marcada por salões altíssimos e fartamente ornamentados por pontas rochosas e assustadoras, fazendo jus ao nome do lugar. Mas ironicamente, enxerguei ali um toque ludicamente divino.

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O tempo passa, a vida prega peças e tira outras; não saberia dizer se aquele primeiro encontro com o misterioso universo subterrâneo contribuiu para minha escolha intelectual, o fato é que enveredei pelos estudos de Geologia na Universidade de São Paulo, lá pelos idos de 1987.

No ano seguinte, conheci o Prof. Ivo Karmann e colegas de faculdade unidos por um único assunto: cavernas. Como um dejá vu que jamais havia acontecido, reencontrei todos aqueles cenários cavernícolas de outrora, agora sob a ótica das pesquisas e mapeamentos. Um universo de perguntas e estudos se descortinava perante nós. E foi neste contexto que comecei a me interessar por fotografia, principalmente na tentativa de registrar os detalhes das formações e as dimensões dos salões.

Com uma câmera FM2, uma lente fixa e um flash, me embrenhei pelos mistérios da luz e da sombra. De cara, percebi que o conhecimento espeleológico adquirido nas inúmeras viagens pelo Vale do Ribeira seria imprescindível para entender a dinâmica da luz que imprimia o filme, e como ela reage diante dos diferentes tipos de calcário que compõem cavernas e suas formações minerais.

Tomei gosto pelo processo alquímico de iluminar aquela escuridão absoluta. Aliás, gostei tanto desta arte que transita entre o documento e o conceitual, que, em 1992, me tornei fotógrafo, logo depois de finalizar o curso de geociências.

De lá para cá, entre expedições científicas aos confins amazônicos ou à busca perseverante por nossa fauna ameaçada, sempre que pude voltei às origens. Acompanhei explorações e mapeamentos nas mais distantes cavernas e, nos últimos anos, segui o caminho dos obstinados pesquisadores de animais cavernícolas.

Não consigo dissociar minha trajetória profissional da minha formação espeleológica. Para homenagear este fantástico mundo subterrâneo, aqui estou, com essa história e essas imagens, abrindo um série de artigos sobre cavernas em ((o))eco.

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