Dicionário Ambiental

O que é Financiamento Climático?

Os recursos que movem a transição para uma economia de baixo carbono e sustentam a adaptação de países vulneráveis

Redação ((o))eco ·
3 de novembro de 2025

O financiamento climático reúne os recursos financeiros públicos, privados, nacionais e internacionais, destinados a apoiar ações que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e ajudem países e comunidades a se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas. A proposta parte do princípio de que as nações mais desenvolvidas, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões, devem contribuir com recursos para que os países em desenvolvimento enfrentem os impactos ambientais de forma mais justa e equilibrada.

A discussão ganhou força a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima de 2009 (COP15), em Copenhague, quando países desenvolvidos prometeram mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para apoiar a transição climática em países vulneráveis. Esse compromisso foi reafirmado no Acordo de Paris, de 2015, que estabeleceu o financiamento como uma das bases para o cumprimento das metas globais de mitigação e adaptação.

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Os recursos podem ser aplicados em diferentes frentes, desde a proteção de florestas e ecossistemas, passando pela transição energética e manejo sustentável da agricultura, até o fortalecimento de comunidades indígenas e tradicionais que vivem em áreas mais expostas aos efeitos do aquecimento global.

Apesar dos compromissos assumidos, o financiamento climático continua sendo um dos principais impasses das negociações internacionais. Países em desenvolvimento argumentam que o dinheiro prometido não chega de forma efetiva e que as metas precisam ser revistas, enquanto as nações ricas defendem uma divisão mais ampla da responsabilidade, envolvendo também economias emergentes.

Durante a COP29, realizada no Azerbaijão, os países tentaram definir uma nova meta climática, que substituiria os US$ 100 bilhões anuais acordados em 2009 e poderia definir os rumos do financiamento climático na próxima década.

A meta acordada, conhecida como Novo Objetivo Quantificado Coletivo (NCQG), no entanto, ficou muito aquém do esperado. Países em desenvolvimento, baseados em projeções da Ciência, pediam que o valor chegasse a US$ 1,3 trilhão por ano. A meta acordada foi de US$ 300 bilhões, o que foi considerado um grande fracasso.

O texto da NCQG acordado em 2024 também não deixava claro o fluxo de recursos – se de países desenvolvidos para países em desenvolvimento ou se todas nações poderiam contribuir para a meta -, nem a natureza dela: se seriam apenas doações ou se empréstimos também entrariam na conta. 

Para fazer frente ao fracasso da COP29 – e para que o Brasil não chegasse na COP30 com uma batata quente no colo –, foi criada uma força tarefa conjunta entre as presidências da COP do Azerbaijão e do Brasil, na construção de um “Mapa do Caminho” para o escalonamento do financiamento climático global.

Este mapa, conhecido como Roteiro Baku-Belém, foi construído durante todo o ano de 2025, com auxílio do Círculo de Ministros de Finanças – criado pela presidência da COP30 para tal fim –, sociedade civil e academia. 

O Roteiro Baku-Belém será apresentado no dia 3 de novembro de 2025, a poucos dias do início oficial da COP30.

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