Luciana Whitaker é uma carioca de 39 anos, vegetariana, que há 16 virou fotógrafa profissional. Ela passou seus últimos 8 anos em Barrow, no Alaska, uma vila de 4 mil pessoas, a maioria esquimós, localizada no ponto mais setentrional do continente americano.
Excepcional fotojornalista, Luciana ficou fascinada com a luminosidade local, influenciada pelo sol baixo e o ar cristalino – radicalmente diferente da nossa luz tropical – e com a cultura daquela comunidade de esquimós, os Iñupiat. Uma das coisas que mais chamaram sua atenção é a maneira como os Iñupiats conciliam sua tradição com a modernidade. São globalizados, mas mantêm um pé firme nas suas tradições.
Uma delas é a caça às baleias em pequenos barcos, feitos de madeira cobertos com couro de foca. O alvo são as Bow Heads, cuja carne, distribuída pela comunidade, é estritamente usada para a subsistência. Há tecnologia recente integrada à caçada, mas na essência ela é feita do mesmo modo que os ancestrais dos Iñupiat a faziam há mil anos. Desde a década de 70, adotou-se um sistema de quotas anuais, definindo o número de baleias que poderiam ser arpoadas. Para 2004, permitiu-se a caça de 22 Bow Heads. Nesse ambiente gelado e inóspito, com temperaturas que chegam a 40 graus negativos, a caçada e o corte das baleias mobiliza toda a comunidade.
Não foi fácil para Luciana conseguir ganhar a confiança desses caçadores e sua autorização para fotografá-los. Eles sempre temem que essas imagens tenham repercussão negativa e sirvam para coibir uma de suas mais longevas tradições. Curiosamente, ela passou a ser aceita por eles ao perceberem que a fotógrafa falava com seus filhos pequenos em português. Acharam que Luciana queria preservar suas raízes e isso é um assunto do qual os Iñupiats entendem muito bem. Depois passou a vender as imagens que fazia nas feiras de artesanato locais. Daí a ser chamada a registrar suas caçadas de baleia foi um pulo. Um longo pulo.
“Eu fotografava nesse período com uma Nikon F4 e, devido ao frio, substituía as pilhas AA alcalinas pelas AA de lítium”, conta ela. Para evitar a condensação, usava um protetor de borracha em volta do visor, para evitar que sua respiração, no frio, terminasse por embaçá-lo. Luciana acabou de retornar ao Brasil, depois de 8 anos entre baleias, focas, lobos, iglus, esquimós e muito, muito frio.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Rio de Janeiro retoma palco global de debates climáticos e ambientais
Rio Nature & Climate Week tem como objetivo ser a voz do Sul Global na agenda do clima e biodiversidade. No encerramento, prefeito promete criar UCs do Corredor Azul na cidade →
UCs são frente de defesa contra crise climática, destaca presidente do STJ
Abertura da UCBIO contou com palestra magna do ministro Herman Benjamin e homenagem ao legado de Maria Tereza Jorge Pádua para criação de UCs no Brasil →
Últimos dias de chamada para criação de curso de capacitação de gestores de UCs
Edital da UNESCO busca propostas de consultoria para desenvolver e ministrar curso semipresencial de capacitação de gestores públicos de unidades de conservação →

Achei incrível a sua história, você conseguiu transmitir toda a emoção e carinho que teve a oportunidade de vivenciar com o povo esquimó, muito obrigada por compartilhar conosco essa grande aventura e mostrar que ainda há respeito, solidariedade e união. Valores um pouco esquecidos na nossa sociedade. Beijos Sa