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O Eco+ | Edição #290 | maio/2026

O Eco+ | Edição #290 | maio/2026

3 de maio de 2026

Em Altamira (PA), município campeão no desmatamento no Brasil, a merenda escolar passa a integrar uma estratégia multidisciplinar que conecta clima, território e produção local. Ao quadruplicar a participação da agricultura familiar em poucos anos, o município ampliou o acesso a comida fresca, fortaleceu a permanência de comunidades no campo e criou incentivos econômicos para a conservação da floresta, ao reduzir a pressão por atividades associadas à degradação florestal. É o que reporta Alice Martins Morais, em reportagem publicada na segunda-feira (27), em ((o))eco. Segundo a apuração, apesar do avanço da política de alimentação escolar avançar no Pará, com orçamento anual previsto de R$ 189 milhões e potencial de beneficiar quase 24 mil famílias, cerca de R$ 23 milhões deixam de ser executados por incoerências nos processos das prefeituras.

Soberania alimentar é tema da coluna de Alexandre Mansur e Analu Dias esta semana em ((o))eco. Segundo os autores, quando se fala em soberania alimentar, estamos falando, na verdade, da nossa capacidade de produzir alimentos em todas as circunstâncias. E essa produção de alimentos está bem longe do imaginário do campo de monocultura produzida para a exportação, com maquinários grandes e caros e nenhuma árvore no terreno para contar a história. “(...) A ideia de soberania alimentar para nós que trabalhamos lado a lado com os agricultores familiares, parte dessa questão de uma forma mais simples do que parece. A nossa alimentação começa  no ato de as comunidades decidirem como é que vão produzir, o que irão produzir e o que querem consumir, a partir de suas realidades culturais, ambientais e territoriais”.

A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis terminou, em Santa Marta, na Colômbia, com um saldo político relevante, apesar de ainda não ter acordos vinculantes. Ao longo de cinco dias, mais de 50 países e representantes da sociedade civil se reuniram para discutir caminhos para acelerar a saída do petróleo, gás e carvão, em um movimento que busca superar o impasse das negociações climáticas internacionais longe do modelo tradicional das Conferências do Clima da ONU (UNFCCC), informa Karina Pinheiro. Longe de ser um fracasso, o encontro funcionou como um passo para que os países dispostos avancem na implementação da transição energética sem depender do consenso global. A estratégia busca contornar o bloqueio diplomático imposto por grandes produtores e deslocar o debate para o campo da ação.


Boa leitura!

Redação ((o))eco

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· Conservação no Mundo ·

Sabedoria anciã. Quando a seca assola a savana africana, uma matriarca elefante idosa guia sua manada até a água que ela se lembra de décadas atrás. No frio Pacífico, uma orca mais velha conduz seu grupo até o esquivo salmão, compartilhando sua presa quando a oferta diminui. E em alto-mar, um albatroz experiente traça vastas rotas invisíveis que refinou ao longo dos anos, retornando infalivelmente para alimentar seu filhote. Por terra, mar e céu, esses animais utilizam memória, habilidade e experiência acumuladas ao longo de longas vidas. Então, o que acontece quando esses indivíduos mais velhos são removidos seletivamente por meio da caça, pesca ou outras pressões humanas? Os pesquisadores dizem que a perda pode não ser imediatamente visível, mas é profunda: o conhecimento que sustenta a sobrevivência da população começa a desaparecer. [E360Yale]

Santuário inseguro. A civeta-de-manchas-grandes é um pequeno carnívoro ameaçado de extinção encontrado em áreas florestais isoladas no Sudeste Asiático. Agora, um novo estudo sugere que esses mamíferos noturnos estão caminhando para a extinção local no Santuário de Vida Selvagem de Srepok (SWS), no Camboja, outrora considerado um importante reduto global para a espécie. O estudo, publicado na revista Pacific Conservation Biology, analisou uma década de dados de armadilhas fotográficas do santuário e constatou um declínio de 75 a 95% na densidade populacional da civeta-de-manchas-grandes (Viverra megaspila) entre 2009 e 2019. Modelos populacionais agora projetam que a espécie poderá ser extinta do santuário até 2034. [Mongabay]

· Dicas Culturais ·

• Para ler •

O Espetáculo da Vida Marinha (Volume 1) | Alexander Turra 

Com fotografia de Alvaro Esteves Migotto, professor do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo, o livro integra a Coleção Década do Oceano e visa aproximar a sociedade da biodiversidade marinha, cuja apreciação era um privilégio até então reservado aos especialistas.

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• Para ler •

Planeta simbiótico | Lynn Margulis

Nesta obra insurgente, Lynn Margulis faz um balanço dos resultados de seus estudos e desdobra as implicações da simbiose para além da célula, indo até os ecossistemas. Lynn nos lembra que ainda na pré-história, quando as bactérias primitivas começaram a liberar oxigênio na atmosfera terrestre, houve uma hecatombe maior do que qualquer guerra nuclear ou efeito estufa. No entanto, a vida continuou. Para a professora Margulis, Gaia não está ameaçada pela nossa estupidez pois a humanidade é apenas mais uma entre as muitas espécies existentes, e só pode fazer mal a si mesma.

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• Para ouvir •

Forever Green | Tom Jobim

“Onde está o azul” e “onde está o verde” são alguns dos questionamentos que a sua letra de forever green traz. Gravada em inglês, a música de Antônio Carlos Jobim está no disco Antônio Brasileiro, de 1994, o último de sua carreira. A canção conta com a participação da filha de Jobim, Maria Luiza, que era criança na época.

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