O Eco+ | Edição #298 | junho/2026
28 de junho de 2026
Após uma longa jornada, uma notícia boa para a conservação, finalmente. Esta semana, a repórter especial Duda Menegassi contou o final feliz do Parque Estadual Guajará-Mirim, localizado no interior de Rondônia, que entra como exemplo de como a ação integrada entre poder executivo e judiciário é capaz de garantir a defesa do patrimônio natural brasileiro. A área foi invadida por dezenas de pessoas, a partir de 2014, incentivadas pelo discurso de políticos com promessas de que haveria regularização. O MP entrou com ação civil pública em 2020 para desocupar a área. Em paralelo à ocupação, houve um projeto de lei para reduzir a área do parque. Sancionada, a lei foi derrubada pela Justiça de Rondônia, que a considerou inconstitucional. Apenas em abril de 2022 saiu a sentença que confirmava a desintrusão. Foi feita então uma ampla campanha de divulgação da decisão para promover a saída voluntária de quem estava dentro do parque. Ao todo, foram removidos 2.185 bovinos do interior do parque, a maior parte retirada de forma voluntária, inutilizados 205 barracos e somados mais de R$ 35 milhões em multas aos infratores. “O processo tramitou com a citação, intervenção, notificações de todos os possíveis interessados, diversos órgãos. E a sentença foi dada com a confirmação da liminar da tutela antecipada do Estado. O que significa isso? Estado, cumpra a desocupação da área do parque. E o Estado cumpriu”, resume o juiz Lucas Niero Flores, do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, que assumiu o processo da ação civil pública em outubro de 2021. Ainda segundo o magistrado, a desocupação, realizada em 45 dias, foi feita sem tiros ou intercorrências em 2023.
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Embora com falhas nos controle dos indiretos, a pecuária na Amazônia possui padrões mínimos de monitoramento de irregularidades socioambientais no bioma. Isso se deu por causa da pressão do mercado consumidor, governos, atuação do Ministério Público Federal e acordos setoriais como os frigoríficos. Se essa é a realidade hoje na cadeia de carne na Amazônia, o mesmo não se verifica no Cerrado brasileiro, onde o setor acumula baixa transparência e controle insuficiente da cadeia produtiva. Segundo coluna de Alexandre Mansur, do Mundo Que Queremos, analisando a última pesquisa do Radar Verde sobre pecuária no Cerrado, das 225 empresas frigoríficas analisadas, apenas sete empresas demonstraram algum nível de controle sobre as fazendas fornecedoras diretas. O cenário é preocupante. “Quando a avaliação considera também as fazendas fornecedoras indiretas, 96% das empresas foram classificadas com grau de compromisso muito baixo e 4% com grau baixo. Nenhuma alcançou grau intermediário, alto ou muito alto”, avalia.
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O deslocamento forçado por causa das mudanças climáticas já é uma realidade vivida por algumas comunidades no Brasil. Na Ilha do Cardoso, no litoral sul paulista, comunidades que já enfrentaram décadas de negociação sobre permanência em seus territórios tradicionais agora lidam também com o avanço do mar, eventos extremos e novas tratativas para mitigação e adaptação, conta Henrique Callori Kefalás, Camila Cavalari, Tatiana Cardoso, Dauro Marcos do Prado, Pedro Torres, Erika Pires Ramos e Giovanna Gini. A erosão intensificada pelas mudanças climáticas no no Estreito do Melão, no sul da ilha, fez a faixa de terra perder cerca de dois terços de sua largura em pouco mais de um ano, passando de 39 para aproximadamente 9 metros. No norte da ilha, nas Comunidades do Itacuruçá e Pereirinha, 34 famílias já estão diretamente afetadas pelo avanço do mar. Diante desse cenário, moradores da Ilha do Cardoso passaram a se organizar por meio da Articulação de Povos e Comunidades Tradicionais da Ilha do Cardoso, que reúne doze comunidades tradicionais – dez caiçaras e duas aldeias indígenas. Encontros comunitários, monitoramento territorial e a elaboração de pelo menos quatro documentos técnicos completos nortearam a atuação dos órgãos de justiça – como o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP) – na defesa dos direitos das comunidades.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Quando a justiça tarda, mas não falha: a desocupação do Parque Estadual Guajará-Mirim
A cadeia da carne ainda está aprendendo a proteger o Cerrado
Quando o mar avança mais rápido que a Justiça Climática
· Conservação no Mundo ·
A conta é maior. Quanto mais dióxido de carbono será emitido à medida que os incêndios florestais aumentarem? Quanto mais metano borbulhará de áreas úmidas em fermentação ou vazará do permafrost em descongelamento? Surpreendentemente, essas emissões induzidas pelo aquecimento são mal representadas ou estão ausentes dos modelos climáticos mais influentes — isto é, aqueles que embasam as avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. Um novo estudo realizado por um grupo de pesquisadores climáticos de destaque sugere que essa lacuna de informações pode tornar ainda mais difícil para as nações limitarem o aumento da temperatura média global a um nível bem abaixo de 2°C, a meta estabelecida pelo Acordo de Paris [E360Y].
Ancestrais e fundamentais. A saúde das terras indígenas e sua capacidade de armazenar vastas quantidades de carbono decorrem da gestão realizada pelos povos que nelas habitam. Essa é a conclusão de uma pesquisa da Conservation International, que demonstra que o conhecimento tradicional, os protocolos comunitários e a cultura indígena desempenham um papel direto na proteção das florestas, da vida selvagem e do meio ambiente. [Grits]
· Dicas Culturais ·
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Atlas dos manguezais do Brasil | ICMBIo
Na sexta-feira (26) foi o Dia Internacional para Conservação dos Manguezais e em homenagem à data recomendamos o excelente Atlas dos Manguezais do Brasil, ebook lançado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) junto com o Projeto Manguezais do Brasil (GEF/Mangue), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento – Brasil (PNUD), com o apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), e coordenado pela Diretoria de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial de UCs (DISAT), do ICMBio. O Brasil é o segundo país em extensão de mangues, com aproximadamente 14 mil km2 ao longo do litoral do Brasil. Para saber mais sobre ele, leia o Atlas.
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Vivene e Florine e suas aventuras na Amazônia | Isa Colli
Depois de alcançar sucesso com a fábrica da aldeia Moinho, as abelhas Vivene e Florine vivem uma nova aventura. Durante um passeio na floresta, elas descobrem uma área completamente devastada pelos humanos, além de animais escravizados e doentes. Imediatamente, convocam a bicharada para informar sobre a catástrofe. E decidem, então, partir para a Floresta Amazônica, na América do Sul, ao encontro de animais especializados em reflorestamento, para pedir ajuda para salvar o Moinho. Lá, descobrem que a própria espécie está ameaçada de extinção. Como será o desfecho desta eletrizante história?
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Aves do meu quintal – Guia de aves para crianças | Cristina Santos e Emilio Takase
As aves formam o maior grupo de animais dispersores de sementes na natureza e desempenham um papel importante na regeneração dos ambientes, sendo frequentemente consideradas “plantadoras de árvores”. Em espaços com vegetação, como quintais, parques ou pátios escolares, sua presença pode ser facilmente observada. O livro-guia Aves no meu quintal, guia de aves para crianças apresenta 60 espécies registradas em um quintal em Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, e está organizado em quatro partes: a primeira traz informações gerais sobre ecologia e comportamento das aves; a segunda reúne as espécies com fotografias, nomes comuns e científicos e fichas descritivas com dados sobre tamanho, dimorfismo sexual, alimentação, dispersão de sementes e curiosidades; a terceira apresenta árvores atrativas para aves e orientações para sua observação; e a última inclui uma ficha de registro e uma atividade de pintura de silhuetas, convidando o leitor a observar e conhecer melhor as aves do seu entorno.





