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O Eco+ | Edição #301 | julho/2026

O Eco+ | Edição #301 | julho/2026

19 de julho de 2026


Uma descoberta científica teve início com uma publicação de fotos em uma rede social. As imagens despertaram a memória de Kayque, um farmacêutico que se lembrou das brincadeiras de infância em poços de lama de Penaforte, no interior do Ceará, onde costumava encontrar peixes muito semelhantes aos retratados. Os animais em questão eram os peixes-das-nuvens, espécies de vida efêmera que habitam poças e lagoas temporárias formadas durante o período chuvoso. Intrigado com a semelhança, Kayque entrou em contato com a página responsável pela publicação e, na estação das chuvas, voltou aos cenários da infância. Lá, reencontrou os peixes e registrou imagens da espécie, sem imaginar que aquelas fotografias dariam início à identificação de uma espécie até então desconhecida pela ciência. A trajetória dessa descoberta é contada pela repórter especial de ((o))eco, Duda Menegassi. Para Telton Ramos, coordenador da iniciativa de divulgação científica Peixes da Caatinga e um dos autores do artigo científico, o achado reforça o quanto ainda há para conhecer sobre a biodiversidade do semiárido brasileiro. “A descoberta dessa espécie é muito importante para a ciência brasileira, principalmente para as pesquisas na Caatinga, que é um bioma relativamente negligenciado em termos de conhecimento dos seus peixes. Esse estudo mostra que temos uma grande diversidade de peixes ainda desconhecida. Precisamos conhecer melhor nossa biodiversidade”, destaca.

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A criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras, na Caatinga potiguar, é resultado de uma trajetória que une memória, pesquisa científica e mobilização social. A história começou na infância do biólogo Damião Valdenor de Oliveira, que cresceu entre Santana do Matos e o sítio Pimenteira, na Serra de Santana, encantado pela presença da maracanã-verdadeira (Primolius maracana). Anos depois, já na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Damião transformou essa lembrança em objeto de pesquisa ao convencer o Laboratório de Ornitologia da instituição a estudar a população da espécie na região. Entre 2009 e 2011, expedições de campo revelaram um cenário preocupante: restavam menos de 50 indivíduos, sem registros conhecidos em outras áreas do estado. Embora um plano de conservação tenha sido elaborado e encaminhado aos órgãos ambientais, a resposta institucional demorou a acontecer. Mesmo assim, a articulação entre pesquisadores, comunidades locais e movimentos sociais manteve viva a defesa da área, culminando, anos depois, na criação da unidade de conservação. A história, contada pelo biólogo Paulo Henrique Marinho, que a acompanhou de perto, ilustra como é possível engajar a sociedade a partir do conhecimento científico e do vínculo das populações com o território, tendo como ponto de partida a lembrança de um menino encantado por uma ave. 

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À princípio, a história não é muito simpática por se tratar de moscas parasitas, mas revela como a extinção de uma espécie pode significar a morte de outras que sequer estão no radar da ciência. Um estudo recém-publicado analisou o risco de coextinção entre 182 espécies de morcegos, das quais 66 apresentam relações com parasitas, e 106 espécies de moscas ectoparasitas – aquelas que ficam e se alimentam na superfície externa dos hospedeiros. Estas moscas só parasitam morcegos e são incapazes de sobreviver sem seus hospedeiros, frequentemente numa relação espécie-específica ainda pouco conhecida. Duda Menegassi reporta que a extinção de algumas espécies de morcegos pode provocar a coextinção de até cinco espécies de moscas e que o cenário é agravado pelo fato de que muitas dessas moscas ectoparasitas são invisibilizadas pelas lentes e listas da conservação. “Outras 64 espécies de ectoparasitas apresentavam apenas um registro de interação com uma única espécie de morcego, evidenciando sua relação altamente especializada, o que as torna mais suscetíveis à extinção caso ocorram variações populacionais em seus hospedeiros”, destacam os autores em trecho do artigo.

Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Novas espécies. Pesquisadores identificaram três espécies de louva-a-deus do tipo “cobra” desconhecidas pela ciência — duas da Austrália e uma da Papua-Nova Guiné — e mapearam sua distribuição e comportamento com a ajuda de cientistas cidadãos. Matthew Connors, doutorando na Universidade James Cook, na Austrália, liderou o esforço para revisar a taxonomia do gênero Kongobatha, um grupo pouco estudado de louva-a-deus conhecidos como “louva-a-deus-cobra” devido aos padrões em suas asas que lembram cobras. Eles também são chamados de louva-a-deus que se “achatam” contra folhas, pois pressionam seus corpos contra as folhas para se camuflar. Essa capacidade de se misturar ao ambiente é vantajosa, pois eles são tanto predadores de insetos — incluindo moscas e mosquitos — quanto presas de outros animais. “Eles possuem um órgão especial no tórax que funciona como um sensor e os ajuda a se achatar perfeitamente contra a folha, tornando-os muito difíceis de serem vistos por predadores”, disse Connors. Para descrever essas três espécies, Connors coletou novos espécimes e obteve outros de museus australianos e internacionais, bem como de coleções particulares. [Mongabay]

Conhecimento acumulado. Enquanto Reino Unido, Espanha, Portugal, França, Estados Unidos e Canadá enfrentam grandes incêndios em meio a ondas de calor, especialistas alertam que a crise climática está prolongando e intensificando as temporadas de fogo. Na Austrália, onde o país acumula mais de um século de experiência no combate às chamas, moradores que já perderam suas casas afirmam reconhecer o desafio vivido agora por outras regiões do planeta. [The Guardian]

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25 Anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC): trajetória, desafios e perspectivas | Talden Farias e Frederico Rios Paula (Organização)

Este compêndio, coordenado por especialistas renomados, celebra os 25 anos da Lei do SNUC e apresenta uma análise profunda, plural e estratégica sobre o papel das Unidades de Conservação como instrumentos fundamentais para a sustentabilidade, o desenvolvimento regional e a proteção da biodiversidade. Mais do que uma publicação, esta obra é um convite à reflexão e à ação, fortalecendo o compromisso com um futuro mais sustentável e equilibrado para as próximas gerações.

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Sabores e Saberes da Amazônia | Imaflora

Sabores e Saberes da Amazônia reúne histórias, receitas, artigos e relatos sobre a alimentação escolar e a agricultura familiar em São Félix do Xingu (PA). Produzido pelo Programa Florestas de Valor, do Imaflora, em parceria com a Fundação Carrefour e a Secretaria Municipal de Educação, o livro registra a trajetória do projeto, apresenta conhecimentos compartilhados por agricultores e merendeiras e mostra como a produção local integra a merenda da rede pública de ensino.

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Rompendo Barreiras: Nosso Planeta | Netflix

O documentário reúne o naturalista David Attenborough e o cientista Johan Rockström para explicar o conceito dos limites planetários e discutir como as atividades humanas têm alterado os sistemas que sustentam a vida na Terra. O programa apresenta evidências científicas sobre mudanças climáticas, perda de biodiversidade, uso da terra e dos recursos naturais, além de abordar caminhos para reduzir esses impactos.

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