O Eco+ | Edição #305 | agosto/2026
16 de agosto de 2026
O muriqui-do-sul está para ganhar um novo lar protegido no Paraná. Após uma década de estudos, os ameaçados primatas podem ganhar uma área protegida ainda este ano, porém não de proteção integral, como pleiteavam os pesquisadores. A história da tentativa de criação do anterior Refúgio de Vida Silvestre – agora provável Área de Relevante Interesse Ecológico, devido à pressão de proprietários e produtores rurais – foi tema da reportagem de Duda Menegassi esta semana, em ((o))eco. A mudança representa uma flexibilização da proposta, que deixa de ser de proteção integral para a categoria de uso sustentável, mais permissiva aos impactos humanos. “Houve uma pressão dos setores econômicos para alteração da categoria, falando que os moradores locais não poderiam mais fazer a criação de gado, que é de pequena escala, que não poderia mais fazer a roça de toco, que é tradicional. O que não é o que acontece num Refúgio de Vida Silvestre, por mais que seja proteção integral. E aí o órgão ambiental resolveu ceder e rever a categoria, passando para uma Área de Relevante Interesse Ecológico, onde o objetivo principal não é mais a proteção de uma espécie ameaçada de extinção e sim o ordenamento territorial, do uso do solo”, pondera o biólogo paranaense Robson Hack, coordenador do projeto de Conservação dos Muriquis no Paraná.
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O repórter Antônio Laranjeiras viu um vídeo inusitado em suas redes sociais e foi atrás dessa história: o uso de gafanhotos para a pesca do pacu-caranha. A atividade reforça o orçamento familiar das famílias e ainda ajuda no controle de uma praga que destrói colheitas. Os insetos começam a ser apanhados em junho. Jacó, jardineiro em Serra do Ramalho, município localizado no extremo oeste da Bahia, utiliza uma pequena rede acoplada na extremidade de uma longa vara para apanhá-los no alto das árvores e depois vendê-los como isca-viva. A alta resistência dos animais facilita mantê-los vivos por dias até o local de pesca. A “moda do gafanhoto” ultrapassou as fronteiras do município, estando presente também em outras cidades vizinhas ao longo desse trecho do Médio São Francisco, de acordo com fontes locais. Os insetos capturados são vendidos por R$25 a dúzia viva. Cada pescador compra, em média, de 6 a 12 gafanhotos para uma boa pescaria. “Um cliente abriu o peixe para tratar e encontrou os gafanhotos na barriga dele. A gente achou inusitado, porque o pacu-caranha aqui é conhecido como porco do rio, come de tudo, mas gafanhoto era novidade. Na semana seguinte, comentei isso com outros clientes e um deles falou que, na cidade onde ele costumava pescar, uma das iscas principais era justamente o gafanhoto”, relata o rancheiro Fabiano Rocha. A reportagem foi publicada em conjunto com a Econordeste.
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A reconstrução da governança ambiental paulista exige mais do que recompor órgãos ou reorganizar estruturas administrativas: passa por recuperar a capacidade do Estado de planejar o território, integrar políticas públicas e antecipar os efeitos das mudanças climáticas sobre cidades, infraestrutura, biodiversidade e segurança hídrica. É o que defende o engenheiro civil e doutor em Saúde Pública pela USP, Ivan Carlos Maglio, que já foi secretário-executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e diretor da Cetesb. Segundo o ex-secretário-executivo, o enfraquecimento de estruturas de planejamento, como a Emplasa, e a fragmentação das políticas ambientais em São Paulo, contribuíram para uma atuação cada vez mais concentrada no licenciamento de empreendimentos isolados, sem considerar adequadamente impactos cumulativos e a capacidade de suporte dos territórios. Maglio defende a ideia que é preciso substituir essa lógica fragmentada por um planejamento estratégico que articule biodiversidade, recursos hídricos, infraestrutura, mobilidade, habitação e adaptação climática, com instrumentos como a Avaliação Ambiental Estratégica, um Sistema Paulista de Infraestrutura Verde e Azul e indicadores socioambientais, urbanísticos e climáticos. A reconstrução também passa pelo fortalecimento do planejamento metropolitano e regional, dos conselhos ambientais, dos comitês de bacias e da participação social, recuperando a memória técnica de São Paulo.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Proposta de UC para muriquis no Paraná avança, mas é flexibilizada
Gafanhoto-isca gera renda nas margens do Rio São Francisco
Depois do desmonte, reconstruir a governança ambiental paulista
· Conservação no Mundo ·
O poder da palavra. Durante 50 anos, a definição legal de “dano” incluiu a destruição do habitat que sustenta espécies ameaçadas ou em risco de extinção. Mas uma nova regra, finalizada em 14 de julho, redefine dano como apenas uma lesão física aos indivíduos. Assim, desde que os indivíduos de uma espécie protegida não sejam diretamente feridos ou mortos por seres humanos, passa a ser perfeitamente aceitável destruir todo o habitat necessário à sua sobrevivência, levando, consequentemente, à extinção da espécie. O secretário do Interior, Doug Burgum, descreve a mudança como uma questão de “bom senso”, enquanto grupos de defesa da vida selvagem afirmam que a mudança “viola o propósito central da lei e décadas de precedentes jurídicos” e representa “uma estaca no coração da lei”. [E360yale]
Lá e cá. A queda do desmatamento na Amazônia brasileira contrasta com o avanço da destruição florestal na Bolívia, e essa mudança no mapa da pressão sobre a floresta. A matéria investiga por que o desmatamento está crescendo no país vizinho justamente enquanto o Brasil reforça políticas de proteção da Amazônia, mostrando como mudanças nas dinâmicas econômicas, na ocupação do território e nas políticas ambientais podem deslocar a fronteira da destruição dentro da região amazônica. [Bloomberg]
· Dicas Culturais ·
• Para ver •
Bicho Livre, Terra Viva | World Animal Protection
Com direção do Estúdio Bijari, o filme, que estreou na quarta-feira (12), debate a urgência e a viabilidade da agroecologia no Brasil. Desenvolvido pela organização global World Animal Protection e dirigido pelo núcleo de criação e arte Estúdio Bijari, o filme aborda como a agroecologia pode substituir a produção agropecuária tradicional no país, mostrando que a produção de alimentos de origem animal pode acontecer sem tratar os animais apenas como mercadoria, respeitando seu bem-estar e sua natureza.
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Terceira temporada de ‘Dá Tempo’ | Podcast
A terceira temporada do podcast “Dá Tempo” coloca a relação entre crianças e natureza no centro das discussões sobre mudanças climáticas e meio ambiente. Conduzido por Pedro Rivas, o programa reúne autoridades, especialistas, ativistas e representantes de organizações para discutir como as experiências na infância podem contribuir para a construção de políticas públicas, ações educacionais e uma relação mais consciente com o meio ambiente. Entre os convidados estão Daniel Becker, pediatra e ativista pelo direito à saúde integral das infâncias; Laís Fleury e Leila Vendrametto, do Instituto Alana; Mônica Oliveira, do Instituto Conexão Natureza; além de representantes da Fundação José Luiz Setúbal e outros especialistas. A temporada também conta com a participação da artista e pesquisadora Tuini Bitencourt, que traz uma perspectiva artística às conversas.
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A ordem ambiental internacional | Wagner Costa Ribeiro
Problemas como poluição atmosférica, aquecimento global e conservação da diversidade biológica transpassam as fronteiras de países; a temática ambiental tem ganhado, com isso, contornos internacionais. Na construção de um sistema internacional multilateral que trate desses assuntos surgem idéias como segurança ambiental e desenvolvimento sustentável. Seria possível regular as ações humanas de modo a contemplar estes dois aparentes antagonismos? O autor procura responder esta questão a partir das principais convenções internacionais sobre o ambiente.





