O Eco+ | Edição #309 | setembro/2026
13 de setembro de 2026
O programa de governo de Flávio Bolsonaro apresenta sete propostas classificadas como claramente antiambientais pelo Observatório do Clima (OC), enquanto apenas uma medida foi considerada positiva pela entidade. O levantamento, divulgado na quinta-feira (10), analisou os planos de governo dos seis candidatos à Presidência mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto e avaliou 28 temas relacionados à agenda socioambiental. Segundo a análise, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva é o que apresenta o maior número de compromissos positivos e detalhados na área ambiental, com 16 propostas. Além de Lula e Flávio Bolsonaro, o estudo considerou os planos de governo de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
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Enquanto Brasília fervia com a crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo a investigação – ou proteção – de investigados sobre o Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na terça-feira (8), um dia depois do feriado da independência, para celebrar o Dia da Amazônia e anunciou a criação de quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas e a ampliação o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí. Juntas, as novas unidades e a área incorporada ao parque somam cerca de 676 mil hectares de áreas protegidas. As quatro RDS estão localizadas na região de influência da BR-319, no sul do Amazonas, e abrangem aproximadamente 669 mil hectares. A maior delas é a Tupana Igapó-Açu II, com 422,1 mil hectares, nos municípios de Beruri e Tapauá. Também foram criadas as reservas Tupana Igapó-Açu I, em Borba, com 114 mil hectares; Canaã, em Careiro e Autazes, com 109,6 mil hectares; e Mirari, em Humaitá, com 22,7 mil hectares. A categoria permite que as populações residentes utilizem de forma sustentável os recursos naturais das áreas protegidas.
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Uma péssima notícia ronda a humanidade: a de que estamos caminhando para ultrapassar os limites de aumento de 1,5ºC da temperatura global impostos pelo Acordo de Paris. William Wills, Diretor Técnico do Centro Brasil no Clima, escreveu para ((o))eco sobre o relatório Limiting Overshoot, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) na semana passada, sobre o que significa o novo cenário, em que, mesmo no quadro mais otimista, em que compromissos climáticos e metas de neutralidade sejam cumpridos, o pico ainda deverá chegar a aproximadamente 1,8°C, o que torna a questão climática mais cara e urgente para a humanidade lidar. “Mais do que nunca, cada décimo de grau importa ainda mais. Cada fração de aquecimento evitada significa menos pessoas expostas a calor extremo, enchentes, secas e insegurança alimentar; menos mortes e deslocamentos; menos perdas econômicas e danos à infraestrutura; mais florestas preservadas, mais espécies sobrevivendo e maiores chances de sobrevivência para ecossistemas altamente vulneráveis, como os recifes de coral”, escreveu.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Flávio Bolsonaro repete o pai e apresenta 7 propostas antiambientais
Lula cria 4 RDS e amplia Parque Nacional das Sete Cidades
Ultrapassado 1,5°C, cada décimo de grau importa ainda mais
· Conservação no Mundo ·
Vilões ou mocinhos? Muitas das praias favoritas dos estadunidenses, na Flórida e no Caribe, ficaram novamente repletas de algas de odor desagradável neste verão, muitas vezes em quantidades recordes. O que os turistas decepcionados talvez não saibam é que essas invasões – que também sufocam recifes de corais, manguezais e pradarias de ervas marinhas – são apenas o sinal mais visível de um vasto e novo ecossistema marinho: uma imensa massa de sargaço flutuante que, desde 2011, parece ter surgido do nada para se espalhar em uma faixa de 5.500 milhas (cerca de 8.850 km) de extensão, indo do México à África Ocidental e da Flórida ao Brasil. As densas camadas dessas algas oceânicas chegam a atingir 6 metros (20 pés) de espessura e, neste verão, alcançaram um peso recorde de 38 milhões de toneladas métricas. Esta enorme floração de algas de sargaço também abriga uma vasta gama de criaturas marinhas, e alguns já defendem a sua proteção. [Yale306E]
El niño à vista. A previsão de que o fenômeno El Niño desta temporada será mais forte do que o normal alarmou a comunidade científica equatoriana, que alertou para o impacto na flora e na fauna das Ilhas Galápagos, lar da maior concentração de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra. O arquipélago de mais de 230 ilhas — das quais apenas quatro são habitadas — está localizado no meio do Oceano Pacífico, a 1.000 quilômetros da costa do Equador. O fenômeno climático ocorre periodicamente e, no Pacífico equatorial, caracteriza-se pelo aumento da temperatura da água do mar e por chuvas intensas. Sua intensidade é determinada pela medição da temperatura da água nessa área e pela comparação com a média normal. Se estiver 2 graus Celsius acima do normal, é considerado “muito forte”. [Associated Press]
· Dicas Culturais ·
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Encontrando Darwin: uma expedição através da Patagônia | Márcio Pimenta
O fotógrafo e jornalista atravessou a Patagônia com o apoio da National Geographic Society, refazendo parte da viagem de Charles Darwin com o Beagle e entrevistando cientistas e povos originários da região. Com 284 páginas, o livro foi lançado este ano pela Solisluna Editora.
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A Bioinvasão do coral-sol | Beatriz Grosso Fleury, Fernanda Araujo Casares, Joel Christopher Creed, Maria do Rosario de Almeida Braga, Simone Siag Oigman-Pszczol
Ganhador do Jabuti Acadêmico 2026 na categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia, o livro narra como o belo coral-sol chegou e se espalhou pela costa brasileira por meio de atividades humanas. A publicação, que está disponível gratuitamente, é uma iniciativa do Laboratório de Ecologia Marinha Bêntica, do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro ( Uerj), em parceria com o Instituto Brasileiro de Biodiversidade (BrBio) e instituições colaboradoras. O prefácio é assinado por Gilberto Gil e Simone Siag Oigman-Pszczol.
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Podcast Vozes do Clima – Especial El Niño | ISA
O Instituto Socioambiental (ISA) lançou esta semana uma série especial de boletins de áudio sobre o El Niño, fenômeno climático que já impacta várias regiões do país em 2026. A série integra o podcast “Vozes do Clima” e será composta de seis episódios de até 10 minutos cada. O objetivo é apresentar como os efeitos do El Niño vêm se intensificando com o aquecimento global e as mudanças climáticas e sugerir como lidar com escassez de chuva, estiagem prolongada, ondas de calor, chuvas fortes, alagamentos e insegurança alimentar. O episódio de lançamento explica o fenômeno e sua intensidade em 2026 e 2027, que deu a ele o nome de “Super El Niño”.






