O Eco+ | Edição #312 | outubro/2026
4 de outubro de 2026
O país vai às urnas neste domingo e ((o))eco destaca entre as matérias mais importantes da semana passada o levantamento da Rede Pró-UC, que se debruçou sobre 46 proposições apresentadas nos últimos quatro anos que, segundo a entidade, ameaçam diretamente ou podem impactar a proteção de Unidades de Conservação (UCs) no país. Dos 31 parlamentares responsáveis pelas propostas, 28 estão disputando a eleição de 2026 – 23 na Câmara e 5 no Senado (a lista completa está no link da matéria). Das 46 propostas, 22 são Projetos de Decreto Legislativo que tentam barrar a criação ou ampliação de UCs como Albardão e Taiamã. O Partido Liberal (PL) concentra a maior parte dos parlamentares que propuseram essas flexibilizações. São 13 deputados da sigla entre os 31 autores, responsáveis por 27 das 46 propostas. MDB, Republicanos e União aparecem na sequência, com três parlamentares cada. As proposições estão distribuídas por 12 estados, com destaque para Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
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Controles sanitários e ambientais precisam melhorar para conquistar novos mercados além de China, EUA e União Europeia. É o que defende Camila Trigueiro, pesquisadora do Imazon, que analisa que o Brasil já se consolidou como exportador para estes mercados, mas que novas regras sanitárias e a questão da imposição arbitrária de tarifas pelo governo dos Estados Unidos tem reforçado a necessidade do país expandir o comércio de carne para outros países, como o Japão e a Coreia do Sul – potenciais interessados no produto brasileiro. O que emperra essa aproximação é atender as exigência desses países, principalmente quando o assunto é rastreabilidade da cadeia bovina. O país ainda inicia os passos para cumprir essa tarefa, mostra a repórter Alice Martins Morais, que chama atenção para o fato de que o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado em julho de 2025, estipula que até 2029 sejam identificados individualmente e cadastrados no sistema todos os animais que vão passar por manejo sanitário, como a vacinação contra brucelose, uma doença bacteriana que afeta animais de criação (gado, porcos e cabras). Já o Programa Pecuária Sustentável do Pará, que detém o segundo maior número de cabeças de gado do país, conseguiu identificar apenas menos de 2% do rebanho total nos dois primeiros anos da iniciativa. O prazo para a rastreabilidade no estado se estendeu para até 2030.
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Usando como exemplo a regra da maioria, se as vacas pudessem votar, elas decidiriam o futuro da nação, argumenta o colunista Bruno Araújo. Isto porque elas correspondem a cerca de 238 milhões de cabeças, enquanto a população humana está em aproximadamente 213 milhões. Embora os rebanhos não votem, o setor que a representa possui a maior parte das cadeiras do Congresso Nacional e governam, em seu nome, o destino do país. Sozinha, a pecuária ocupa uma extensa área de 156 milhões de hectares de terras brasileiras dedicadas ao pasto. “Enquanto o latifúndio monopoliza o solo, a produção da cesta básica nacional (feijão, arroz, legumes e hortaliças) opera com incentivos estatais muito menores e ocupa uma fração residual das áreas agricultáveis do país. O modelo atual entrega terra, recursos hídricos e soberania territorial para concentrar lucro nas mãos de um reduzido grupo de grandes agroexportadores”, analisa o colunista.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
28 dos 31 deputados autores de propostas nocivas às UCs disputam eleições em 2026
Como a Amazônia pode conquistar novos mercados além de China, EUA e UE?
E se as vacas pudessem votar?
· Conservação no Mundo ·
Legado maldito. A fazenda de Niku Argane fica em uma encosta íngreme na Zona de Gurage, região semimontanhosa no centro da Etiópia, onde anos de inundações abriram sulcos profundos no terreno. O solo, que antes produzia cevada e batatas em quantidade suficiente para alimentar sua esposa e quatro filhos, sofreu erosão, enquanto a seca tornou o cultivo da terra restante ainda mais difícil. Ao longo de um século, a devastação causada pelo desmatamento deixou a Etiópia enfrentando inundações e secas mais intensas. Agora, o país tenta restaurar suas florestas nativas por meio de uma das campanhas de plantio de árvores mais ambiciosas e bem financiadas do mundo, mas especialistas questionam se as árvores sobreviverão. [E360Yale]
Patrulha cidadã. Para os moradores das margens do rio Dart, em Devon, no Reino Unido, seria fácil apenas reclamar dos despejos de esgoto que prejudicam o curso d’água que tanto valorizam. Em vez disso, ambientalistas voluntários da região criaram uma plataforma on-line que alerta em tempo real sobre os despejos, identifica os locais que são poluídos repetidamente e mostra onde estão previstas obras de melhoria — e onde elas não estão. A Friends of the Dart (FOD), uma organização independente e sem fins lucrativos, afirma que seu River Hub é a primeira plataforma a reunir, despejo por despejo, um conjunto detalhado de informações sobre como um rio britânico está sendo poluído. A organização argumenta que deveria caber às empresas de abastecimento de água ou à Agência Ambiental fornecer esse tipo de informação de maneira acessível ao público. Mas, segundo a FOD, isso não acontece. [The Guardian]
· Dicas Culturais ·
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Regenerantes de Gaia | Fabio Scarano
A regeneração de Gaia – o planeta Terra – envolve cicatrizar a fratura que existe entre as diferentes formas de interpretar a realidade. Requer a criação de uma pele de ideias e intenções capaz de conectar essas visões de mundo que foram reduzidas a módulos. O autor projeta nesta obra um novo mapa com três caminhos, ou tipos de narrativas, que conduzem a Gaia: Gaia no tempo, Gaia em seu âmago e Gaia no imaginário. Três tipos de narrativas que, entrelaçadas, proporcionam uma visão de múltiplas perspectivas.
• Para ler •
Livro de Seres Invisíveis | Dorion Sagan
O que existe no mundo que nossos olhos não conseguem enxergar? É a partir dessa pergunta que Dorion Sagan percorre o universo dos organismos microscópicos, como as bactérias, e de outras formas de vida pouco perceptíveis. Misturando ciência, filosofia e literatura, o autor mostra como seres invisíveis têm papel fundamental no funcionamento dos ecossistemas e na própria existência humana, embora muitas vezes passem despercebidos.






