Conta a lenda que o cartunista e produtor Walter Lantz teve a ideia para o seu famoso personagem Pica-Pau (Woody Woodpecker, no original) durante sua lua-de-mel, quando um barulhento pica-pau Dryocopus pileatus bicava incessantemente no telhado de seu quarto. Walter pensou em atirar na ave, mas sua esposa Grace sugeriu que, ao invés disso, o cartunista a usasse como inspiração e fizesse dele um personagem de desenho animado. O resto é história.
O desenho animado popularizou a ave, mas é incapaz de mostrar a variedade de espécies de pica-pau. Ao Sul do Equador, a família picidae é extensa e inclui, dentre tantos, o pica-pau-dourado-escuro (Piculus chrysochloros), nosso homenageado da semana.
Com o personagem animado só guarda semelhança a plumagem vermelha da cabeça, para os machos. As fêmeas, dependendo da subespécie, podem apresentar cabeça verde-oliva (tal qual o dorso) ou amarela. O corpo, seja ele macho ou fêmea, apresenta coloração verde-olivácea no dorso, e amarela barrada em marrom-oliva no ventre.
O p. chrysochloros faz seu ninho em cavidades de árvores, podendo ser encontrado em florestas úmidas, no cerrado e na caatinga, biomas que fornecem os cupins e larvas de casca de árvore, que fazem parte da sua dieta. Para esta tarefa, o pica-pau-dourado-escuro apresenta uma extensa língua, serrilhada e bastante adaptada aos hábitos sondadores.
Atualmente, o complexo piculus chrysochloros engloba nove subespécies de difícil distinção: p. c. aurosus, p. c. xanthochlorus, p. c. chrysochloros, p. c. paraensis, p. c. capistratus, p. c. guianensis, p. c. laemostictus, p. c. hypochryseus e o p. c. polyzonus. Com tantas subespécies e extensa área de ocorrência, a IUCN classifica a espécie como “Pouco Preocupante”, mesmo com queda populacional nos últimos anos.
No Brasil, a subespécie piculus chrysochloros polyzonus, o pica-pau-dourado-escuro-do-sudeste, endêmico das matas de baixada do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, é considerada pela ICMBio como “Vulnerável” em razão da perda/degradação do seu habitat, a Mata Atlântica. E, como não são conhecidos registros recentes para o estado do Rio de Janeiro, a ave pode estar extinta.
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