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As florestas que perdemos nos últimos 30 anos

Veja imagens de satélite que mostram as florestas sumindo nas últimas três décadas, seja pelo desmatamento ou pelos lagos das hidrelétricas.

Paulo André Vieira ·
16 de setembro de 2013 · 8 anos atrás

O ser humano é capaz de modificar o meio ambiente das mais diversas maneiras. Aqui neste blog já mostramos a malha noturna formada pelas luzes de cidades, círculos verdes de plantação bem no meio do deserto e até mesmo ilhas artificiais nos formatos mais inusitados. Essas intervenções podem ser vistas lá de cima pelos sensores a bordo dos satélites que são colocados em órbita.

São imagens incríveis, mas por vezes nos esquecemos de considerar como era a superfície do planeta antes dessas intervenções.

Buscando no site do programa Landsat, recuperamos algumas imagens de “antes e depois” de algumas das obras humanas que mais afetam o meio ambiente: as barragens de usinas hidrelétricas.

A principal vantagem da energia gerada por usinas hidrelétricas, dizem seus defensores, é o fato de ser limpa e barata. Em coluna para ((o))eco, o pesquisador do Imazon Paulo Barreto afirmou que nossa energia não é barata e nem limpa e pode ser muito opressora. Além das áreas alagadas pelas barragens, as hidrelétricas também atraem imigrantes que estimulam a economia local, aumentando o desmatamento indireto causado pela usina.

As primeiras imagens mostram a região do lago artificial da Usina de Serra da Mesa, o segundo maior lago do Brasil, localizado no Noroeste de Goiás. Para preservar a memória daquela região impactada pela construção da represa foi construído em 2004 um memorial que conta a história do que ficou debaixo das águas, incluindo as matas, os animais e as pedras.

Localizada no Rio Paraná à altura do município paulista de Rosana, a segunda hidrelétrica é a Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, também chamada de Usina Hidrelétrica Porto Primavera. Ela deveria ter sido concluída em 1988, mas sua última unidade geradora só foi inaugurada em 2003 após inúmeras denúncias de desvios de verbas. Sua barragem é a mais extensa do Brasil, com 10.186 metros de cumprimento. O lago de Porto Primavera tem sete vezes o tamanho da baía de Guanabara e 25 mil hectares a mais que o lago de Itaipu, mas gera sete vezes menos energia que esta última usina, sendo considerada a terceira mais ineficiente usina hidrelétrica do mundo.

A usina apontada como a mais ineficiente do mundo também fica em território brasileiro. É a Hidrelétrica de Balbina, que começou a ser construída na década de 1970 e inaugurada apenas em 1989. Ela alagou centenas de quilômetros quadrados de floresta amazônica e deslocou comunidades de índios Atroari que viviam em áreas hoje submersas. Sua capacidade é baixa, próxima dos 250 MW, e para produzir, em média, 120 MW de energia para a cidade de Manaus. A situação foi ainda agravada pelo projeto mal feito que optou afogar as árvores em vez de cortá-las o que criou um verdadeiro cemitério aquático com centenas de estacas no meio da água e milhões de toneladas de emissão de metano.

Além das hidrelétricas, um velho conhecido também é capaz de provicar profundas alterações na superfície do planeta. Usando as imagens do Landsat é possível acompanhar a evolução do desmatamento na região de Sinop, onde ((o))eco esteve em 2012 acompanhando uma operação do Ibama para conter o desmatamento desenfreado que ocorre na região. A primeira imagem abaixo é de 1984, apenas 10 anos depois da fundação da cidade. A floresta ainda reina soberana. Mas na imagem seguinte, de 1988, o satélite consegue captar o flagrante do fogo abrindo caminho na mata. Outros trechos negros denunciam onde o fogo já havia queimado anteriormente. A última imagem é de 2013, e quase não se vê mais floresta, apenas o mosaico de terras desmatadas.

A animação a seguir mostra o avanço do desmatamento nesses últimos 29 anos. É impressionante acompanhar a floresta desaparecendo diante de nossos olhos, como desapareceram também, só que de maneira quase instantânea, as florestas alagadas pelas barragens das hidrelétricas.

 

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  • Paulo André Vieira

    Produtor Editorial formado pela UFRJ, atua em ((o))eco desde 2007 escrevendo sobre geojornalismo e cuidando da edição e gestão do site.

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