Notícias

Parides ascanius: a borboleta praiana

Como todo genuíno carioca, a homenageada da semana, não recusa uma boa praia. E também sofre quando não pode desfrutar dela.

Redação ((o))eco ·
16 de janeiro de 2014 · 9 anos atrás

Uma [i]Parides ascanius[/i] ou borboleta-da-praia macho. Foto: Wikimedia Commons
Uma [i]Parides ascanius[/i] ou borboleta-da-praia macho. Foto: Wikimedia Commons

Ela gosta de sol. É Fluminense. Frequenta praias, mas só as mais reservadas. Para manter a forma tem uma dieta bem restrita. Alguém poderia achar que esta é a descrição de uma típica jovem carioca. Quase. Na verdade, trata-se da borboleta-da-restinga ou borboleta-da-praia (Parides ascanius), uma espécie endêmica do Estado do Rio de Janeiro, encontrada nas poucas áreas de restinga pantanosa entre o litoral das cidades de Campos e o de Mangaratiba, e no extremo sul do Estado do Espírito Santo.

Conhecida lá fora como Fluminense Swallowtail (em inglês, algo como “Cauda de Andorinha Fluminense”), a borboleta-da-praia adulta tem asas negras, com uma faixa branca que atravessa ambas as asas e uma característica mancha rubra nas asas posteriores. Na fase de larva é castanha clara com tubérculos em todos os segmentos do corpo.

As larvas são monófagas e se alimentam exclusivamente da planta de Aristolochia macroura, conhecida como jarrinha. Quando adultas — já na forma de borboleta –, em seus lentos e graciosos voos, têm como favorito o néctar da flor de Lantana camara, conhecida como cambará, embora também se satisfaça com outras, como o gervão (Stachytarpheta cayennensis).

A duração da vida dos adultos é de duas semanas a um mês. As fêmeas, que podem viver até três semanas, colocam seus ovos em locais isolados, às vezes sob a folha da jarrinha, ou perto da mesma, em galhos secos ou outros suportes. O risco está nas pequenas vespas, parasitas dos ovos da borboleta-da-restinga. Os demais predadores de borboletas, como pássaros, a evitam por seu sabor desagradável. Este mecanismo de defesa começa cedo: a larva absorve e armazena substâncias tóxicas das folhas de Aristolochia macroura, que permanecem quando atingem a maturidade, tornando o inseto impalatável aos seus potenciais predadores.

A maior ameaça à espécie é a sistemática destruição de áreas de vegetação brejosa ou pantanosa em todo Rio de Janeiro. Com a redução das restingas, o inseto se torna ainda mais prejudica por seus hábitos monófagos, pois restam menos opções de áreas capazes de sustentar suas necessidades. Não surpreende que para o ICMBio a espécie esteja Em Perigo e para a a IUCN, a espécie seja classificada como Vulnerável à extinção.

 

 

Leia também
Chauá, o papagaio de muitos apelidos
Uma coleira para a preguiça
Tiriba-de-orelha-branca, o verdinho ligadão no seu lar

 

 

 

Leia também

Reportagens
12 de agosto de 2022

Conhecer para preservar: atrizes de Pantanal contam como se apaixonaram pelo bioma

Letícia e Malu explicam a paixão despertada pelo bioma durante as gravações e destacam importância da conservação para a região

Notícias
12 de agosto de 2022

Amazônia perdeu área equivalente à cidade de São Paulo em julho, mostra INPE

Números foram atualizados nesta sexta-feira. Desmatamento em 2022, segundo o Deter, chegou a 8.600 km², área quase do tamanho de Rio Branco (AC)

Notícias
12 de agosto de 2022

Monitoramento de baleias no Rio registra trânsito de 58 baleias próxima das ilhas Cagarras

Desde o ano passado, o Projeto Ilhas do Rio acompanha o corredor migratório das jubartes pelo litoral do Rio. Pesquisadores alertam para grande volume de lixo na rota das baleias

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta