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Co-candidatura “Alimenta SP” quer colocar o meio ambiente no prato

Com o slogan “comida na mesa e floresta em pé”, grupo lança co-candidatura para pautar políticas públicas baseadas na produção alimentar ambientalmente responsável

Débora Pinto ·
22 de agosto de 2022 · 2 anos atrás

Ativistas criam a candidatura coletiva Alimenta SP (PV/SP) para concorrer ao legislativo como deputados estaduais. Dentre os temas pautados pela candidatura estão a luta pela segurança alimentar, a disseminação da  agroecologia, o apoio aos pequenos produtores e a defesa de florestas e dos biomas brasileiros.

A motivação do grupo é combater a situação da fome no Brasil que chegou a índices alarmantes. Hoje, 6 em cada 10 brasileiros não come de maneira adequada no país. Atualmente, mais de 33 milhões de pessoas convivem com algum grau de insegurança alimentar, sem ter acesso pleno a alimentos de qualidade em quantidade adequada, de acordo com o Segundo Inquérito Nacional sobre a Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid 19 encomendada pela Rede Penssann (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), aplicada pelo Instituto Vox Populi. 

“Embora o combate à fome esteja presente nos discursos dos candidatos à presidência, a comida não está sendo colocada no centro. Também não vejo um questionamento ao sistema de produção alimentar atual, que favorece os grandes latifúndios de monocultura para que o Brasil produza commodities voltados à exportação utilizando cada vez mais agrotóxicos, visando a produção de insumos e alimentação animal. Pelo contrário, o que se vê é a naturalização do agronegócio como ele está, com todo o seu alto nível de destrutividade”, explica a jornalista e ativista ambiental Cláudia Visoni. 

Com base na cidade de São Paulo, mas com candidatos de diferentes cidades do interior do estado, como Campinas, Assis e Sorocaba, o grupo articula conhecimentos profissionais e práticos de todos os seus membros em projetos sociais ligados à alimentação consciente, à produção de orgânicos e ao apoio a  produtores rurais familiares. 

Outra bandeira é o incentivo prático  a cozinhas comunitárias voltadas para  populações de baixa renda. 

“A nossa ideia é ajudar a dimensionar a preocupação do meio ambiente para algo concreto, que é o que cada um tem condições de colocar em seu prato. Nós entendemos que a alta no preço dos alimentos não é um efeito que nasce no supermercado, mas das ações predatórias do homem sobre a natureza. As mudanças climáticas e seus efeitos – como os extremos de calor e frio, as secas prolongadas, o aumento no nível do mar – impactam de modo profundo a produção de alimentos”, complementa a ativista.

Não é utopia

Uma das preocupações da Alimenta SP é fazer com que o eleitorado se conscientize das consequências práticas da negligência no que se refere às políticas ambientais na hora do voto, principalmente no Legislativo. A intenção é, ainda, estabelecer o diálogo para mostrar que uma transição para sistemas de produção de alimentos mais social e ambientalmente responsável não é uma utopia, mas pode ser alcançado a partir do uso de conhecimentos técnicos específicos, com o engajamento de comunidades e políticas de financiamento que sejam efetivas para dar estrutura aos produtores orgânicos e familiares. 

Vale lembrar ainda que essas mudanças precisam ocorrer de forma paulatina, respeitando as necessidades de qualquer transição. 

Visoni cita exemplos de países que implantaram mudanças radicais trazidas por alterações também radicais em seus sistemas políticos, como a Rússia nos anos 1930, a China durante a sua chamada revolução cultural e Cuba após a revolução. Embora a ideia de coletivizar o acesso à terra e estabelecer novos métodos pudessem parecer atraentes em teoria, na prática trouxeram grandes ondas de fome a todos esses territórios. 

Isso não significa, porém, que uma mudança não seja possível – ou que o único modelo capaz de garantir a soberania alimentar seja o atual. Vale lembrar que mais de 70% da produção de alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros são provenientes da pequena agricultura familiar.

“Não é nada fácil para esses produtores pequenos conseguirem financiamentos, enquanto se fala tanto em investimento no agronegócio. Nós sabemos que encarar esse sistema, que também é ideológico e financeiro, não será fácil caso sejamos eleitos. Mas o fato é que nós temos décadas somadas de conhecimento prático, temos protótipos do que sabemos que funciona em pequena escala e poderia estar sendo implementado também como política pública”, complementa Visoni.  

Fazem parte da candidatura Alimenta SP, além de Cláudia Visoni, Alê Monteiro (SP), arquiteto e permacultor, Caio Rennó (Sorocaba), extensionista e articulador agroecológico, Leila D’Barsoles (SP), artivista, chef de cozinha e agente de saúde, Lucas Ciola (SP), educador ambiental, linguista e responsável pela produção de alimentos do MST na cidade de São Paulo, Marina Pascon (Assis), agrônoma biodinâmica e Raquel Almeida (SP), gestora ambiental e agrofloresteira.

  • Débora Pinto

    Jornalista pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, atua há vinte anos na produção e pesquisa de conteúdo colaborando e coordenando projetos digitais, em mídias impressas e na pesquisa audiovisual

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