Em motocarreata realizada em Marabá, no Pará, na manhã desta segunda-feira (19), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que, caso seja eleito, irá acabar com “entraves ambientais” que, segundo ele, existem, “principalmente por razões ideológicas”, para que o proprietário rural possa fazer “o que quiser na sua terra”.
“Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já viu. Sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada, você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu! Esses entraves que existem, ambientais, principalmente por razões ideológicas, isso vai acabar”, prometeu Flávio durante seu rápido discurso em cima de um trio elétrico.
Na prática, a promessa acena com ruralistas, interessados no fim de mecanismos fundamentais ao Código Florestal Brasileiro, como a Reserva Legal, que, na Amazônia, obriga proprietários rurais a preservarem 80% da sua terra com vegetação nativa do bioma. Em 2019, Flávio chegou a apresentar no Senado uma proposta para acabar com a Reserva Legal, mas o texto foi duramente criticado e arquivado no mesmo ano.
O município de Marabá, localizado no sudeste do Pará, sobreposto à região batizada de “Arco do Desmatamento”, tem se revelado um reduto do bolsonarismo na região Norte. Em 2024, o município tornou-se o primeiro do estado a eleger um prefeito do Partido Liberal, com a vitória de Toni Cunha (PL). O prefeito acompanhou Flávio na motocarreata ao lado do governador eleito Dr. Daniel (Podemos), parte de uma coligação junto ao PL, que derrotou a candidata Hana Ghassan (MDB), sucessora indicada por Helder Barbalho (MDB).
No 1º turno das eleições presidenciais em Marabá, Flávio Bolsonaro teve 54,42% dos votos, contra 40,16% de Lula.
Historicamente, o Pará é um dos estados líderes em desmatamento na Amazônia. O próprio município de Marabá já esteve entre os líderes na destruição da floresta – em 2008, foi o terceiro município que mais desmatou a Amazônia, de acordo com o Inpe. Nos anos seguintes, houve uma forte redução na taxa de perda florestal.
Na série histórica do Prodes, entre 2008 e 2026, o município soma um acumulado de 1.329,61 km² de área desmatada, o que o coloca na 22º posição no período.
A agenda de Flávio Bolsonaro na Amazônia seguiu para Manaus (AM) nesta segunda-feira, onde continua a campanha.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
“Esse governo é de vocês”, diz Bolsonaro a Ruralistas
Em encontro com parlamentares, presidente disse que governo atual não é como os anteriores, que “demarcavam dezenas de áreas indígenas, demarcavam quilombolas, ampliavam áreas de proteção” →
Projeto de Flávio Bolsonaro para terras indígenas: muita soja e demarcação zero
Presidenciável sinalizou que seguirá pelo mesmo caminho do pai: ausência (e destruição) de políticas voltadas a esses territórios e ataques ao modo de vida tradicional →
Ascema alerta para impactos de propostas de Flávio Bolsonaro sobre órgãos ambientais
Em carta aberta aos servidores da área ambiental, entidade relembra histórico de desmonte promovido por Jair Bolsonaro e chama atenção para propostas do filho, candidato à presidência →
