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Reintrodução do ameaçado papagaio-de-peito-roxo leva prêmio ambiental

Prêmio Expressão de Ecologia condecorou pela 2ª vez o projeto que, desde 2010, já recuperou e fez a soltura de 83 papagaios no Parque Nacional das Araucárias.

Duda Menegassi ·
16 de março de 2016 · 6 anos atrás
Ameaçado de extinção, o Papagaio-de-cara-roxa é endêmico da faixa litorânea da Mata Atlântica que vai do sul de São Paulo ao norte de Santa Catarina. Foto: Vanessa Kanaan.
Ameaçado de extinção, o Papagaio-de-cara-roxa é endêmico da faixa litorânea da Mata Atlântica que vai do sul de São Paulo ao norte de Santa Catarina. Foto: Vanessa Kanaan.

O projeto de reintrodução de espécimes de papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) realizado pelo Instituto Espaço Silvestre desde 2010 no Parque Nacional das Araucárias, em Santa Catarina, recebeu o Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Conservação de Vida Silvestre. É a segunda vez que a iniciativa, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, leva este prêmio, que reconhece ações em prol do meio ambiente na região Sul do Brasil.

O roxinho, como é carinhosamente chamado, é uma das espécies na lista vermelha da IUCN, que a classifica como “em perigo” desde 2012. A ave já foi inclusive considerada extinta em algumas áreas, como o próprio Parque Nacional das Araucárias. Em ação desde 2010, o projeto de recuperação e reintrodução dos papagaios-de-peito-roxo luta para reverter este cenário. Até hoje, 83 espécimes já foram devolvidas ao ambiente. O objetivo da ação é restaurar uma população viável de papagaios dentro do parque, que se reproduza e devolva a espécie ao ciclo natural de vida.

Desde que começou, a sala de reabilitação do projeto já recebeu mais de cem roxinhos,  em sua maioria vítimas do tráfico ilegal de animais que foram resgatados antes de serem comercializados, mas nem todos ainda liberados para regressar ao meio ambiente. Antes da soltura, os papagaios precisam passar por uma bateria de exames, além de um período de aclimatação. Antes de partir, todos recebem um souvenir do Instituto: uma pulseirinha para monitoração, que é feita mensalmente pelos responsáveis do projeto.

A maior causa para sumiço dos papagaios-de-peito-roxo, que são endêmicos da Mata Atlântica, é a destruição do seu habitat natural, seguida pela caça ilegal de ninhos. A estimativa é de que restam apenas cerca de 2 ou 3 mil indivíduos, que também podem ser encontrados em menores quantidades no sudeste do Paraguai e no nordeste da Argentina. Com o sucesso do projeto de reintrodução e recuperação da espécie, a expectativa é que os céus possam ganhar mais cor com o voo dos papagaios-de-peito-roxo, corpo verde e bico avermelhado.

Foto: Vanessa Kanaan.
O roxinho. Foto: Vanessa Kanaan.

 

 

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  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica. Escreve para ((o))eco des...

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Comentários 2

  1. Gabriel Borali diz:

    Maravilhoso o trabalho !!!!! Sou biólogo e sonho trabalhar com projetos como esse. Só um detalhe na reportagem, a primeira foto está com a legenda errada pois está falando do papagaio-de-cara- roxa (Amazona brasiliensis) e a foto e do papagaio-de-peito-roxo(Amazona vinacea).


  2. paulo diz:

    E a prova que é possivel reintroduzir e translocar exemplares da fauna brasileira. Precisamos de agilidade dos centros e seus pesquisadores, para reverter a sindrome das florestas vazias. Os criadores, setores extras de zoos estão abarotados de bichos. Enquanto isto temos unidades de conservação sem estas especies, e pior sem a minima condição de fazer e tambem vontade de fazer.