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Universidade recebe ajuda de ONGs para alimentar animais de antigo zoológico em Mato Grosso

Com corte na Educação, UFMT está recebendo ajuda para alimentar cerca de 300 animais. Recurso liberado parcialmente pelo Governo Federal pagou apenas bolsas e auxílios estudantis nesta quinta-feira

Michael Esquer ·
9 de dezembro de 2022

O Centro de Medicina e Pesquisa de Animais Silvestres (Cempas) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) está recebendo a ajuda de ONGs para conseguir alimentar os cerca de 300 animais que abriga no antigo zoológico do estado. Com o corte na Educação, jacarés chegaram a ficar sem peixes para comer nesta quarta-feira (7). O recurso liberado parcialmente pelo Governo Federal para as universidades e institutos federais nesta quinta-feira (8) ainda não resolveu por completo a situação dos animais. 

Na terça-feira (6), a universidade disse que tinha ficado apenas com R$ 10 mil de saldo em caixa. A ((o))eco, a UFMT confirmou, nesta sexta-feira (9), que foram liberados pelo Governo Federal R$ 1,4 milhão, quando o déficit da universidade é de R$ 5,2 milhões. Com o dinheiro, ainda ontem, a instituição efetuou o pagamento de bolsas e auxílios estudantis que estavam pendentes. Em nota enviada à reportagem, também nesta sexta, a instituição disse que todas as áreas da universidade foram afetadas pelo corte. 

“No que diz respeito à situação do Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas), a Faculdade de Medicina Veterinária (Favet) entrou em contato com várias organizações não governamentais (ongs), dentre elas, É o bicho MT e Ampara, que prontamente vieram ajudar”, diz trecho da nota (LEIA NA ÍNTEGRA). 

Ainda conforme a instituição, diante da situação emergencial, a Fundação Uniselva, fundação de apoio da universidade, vai destinar parte da arrecadação da corrida UFMT e Uniselva em Movimento, que acontece neste sábado (10), para garantir a alimentação dos animais. 

A instituição enfatizou que os animais estão sendo alimentados normalmente e que a liberação parcial de recursos financeiros para as universidades começa a resolver a situação de “forma estrutural”. A UFMT, porém, esclareceu que o problema não está solucionado, e que apenas o aporte pelo ME de todos os recursos pactuados na Lei Orçamentária Anual (LOA) pode solucionar a situação, assim como as demais pendências da universidade. 

Situação preocupante

Como mostrou ((o))eco nesta quinta, Roberto Lopes de Souza, diretor da Favet, à quem está vinculado o Cempas da UFMT, disse que o estoque de alimentos do centro já estava terminando na quarta. Ontem, a campanha de arrecadação da ONG É O Bicho MT fez a primeira doação de alimentos. Foram cerca de 400 kg de frutas e verduras e 100 kg de carne destinados aos animais. 

“A arrecadação está indo bem, a população cuiabana está ajudando muito”, disse a ((o))eco Jennifer Larrea, presidente da É O Bicho. Neste momento, diz ela, a campanha está priorizando a arrecadação de dinheiro para a compra de alimentos a cada dois dias. Isso porque o armazenamento dos alimentos gera custo. Além disso, conforme apurou ((o))eco, a câmara fria do Cempas está queimada.

Orientações para doações 

A campanha de arrecadação de alimentos para o Cempas da UFMT está priorizando a doação de dinheiro. A ONG esclarece que a escolha e entrega dos alimentos é realizada conforme orientação técnica da coordenação responsável pelo centro na universidade. 

Para organizar o fluxo de arrecadação, a ONG É O Bicho elaborou uma lista de recomendações aos que tiverem interesse em ajudar. 

  • A campanha é de arrecadação de dinheiro para a compra de alimentos conforme a dieta dos animais e capacidade de armazenamento da UFMT, com logística de entrega para que não falte alimento aos animais;
  • Não serão aceitas a doação direta de frutas;
  • Não é recomendada a entrega individual de alimentos no local;
  • Não é recomendado que buzinem no portão do local. Isso porque a entrada é próxima dos recintos dos animais e a emissão de avisos sonoros pode ocasionar estresse.
  • Michael Esquer

    Jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

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