Reportagens

Observar e conservar em vias opostas

Biólogos defendem regulamentação do turismo de observação dos golfinhos. Prática desordenada em Noronha é negativa para populações, principalmente filhotes.

Redação ((o))eco ·
30 de outubro de 2008 · 17 anos atrás

Centenas de golfinhos-rotadores, aqueles que giram em torno do próprio eixo quando saltam fora d´água, visitam o Arquipélago de Fernando de Noronha diariamente em busca de um local tranqüilo para descansar, se proteger e reproduzir. Na estação chuvosa, que dura cerca de cinco meses, o local fica ainda mais interessante. É nesta época que os animais têm seus filhotes e, por isso, a incidência de recém-nascidos é maior.

A paz tão procurada pela espécie, entretanto, está cada vez mais distante. Isso porque empresas e turistas interessados na observação da espécie não medem esforços para chegar cada vez mais perto dos grupos de cetáceos.  Para eles, isso pode ser fatal.

Há 18 anos, o Projeto Golfinho Rotador – hoje executado pelo Centro Golfinho Rotador e pelo Centro de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes (ICMBio) –  busca reduzir a mortandade da espécie por meio de educação ambiental, ações de conscientização, pesquisas e proposição de medidas de conservação junto aos órgãos de decisão do governo. É certo que muito já foi alcançado, e um exemplo disso é o fato de que a mesma quantidade de animais que era avistada em 1990 pode ser observada atualmente.

No entanto, as pressões sobre a espécie até hoje não foram totalmente solucionadas e, por isso, ações de preservação são tão importantes. Adoção de cotas de barcos, que podem chegar até perto do arquipélago, e fiscalização mais acirrada estão entre as ações propostas pelo projeto sediado em Noronha.

Leia também

Colunas
2 de março de 2026

10 Livros para Mergulhar em Conservação, parte 6: Uma Ética Ecológica e Evolutiva

Hoje em dia, nenhum sentimento faz tanta falta – e não só na conservação – quanto a empatia. E ela vem de saber quem nós somos e qual nossa relação com todo o resto

Contours of the Espinhaço Mountain Range recorded from Diamantina (MG). In the background, Pico do Itambé, one of the highest peaks in the mountain range. Photo: Glauco Umbelino / Creative Commons
English
2 de março de 2026

Thousands of Mining Projects Threaten Water and Biodiversity in Brazil’s Largest Mountain Range

Growing extraction in the Serra do Espinhaço in the state of Minas Gerais also supplies the demand for critical inputs used for renewable energy transition

Análises
27 de fevereiro de 2026

Borboletas e formigas: um ensaio sobre jardins e ciclos

A vida em comunidade envolve relações de cuidado, mas também conflitos, riscos e ambiguidades. A cooperação é fundamental, mas não significa harmonia perfeita. E, essa lógica não é exclusiva para o mundo dos insetos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.