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Levar objetos ao fundo do mar para atrair peixes, crustáceos e outras formas de vida marinha é prática antiga da humanidade. Os primeiros registros dessa técnica remontam aos anos 1.500, pelas mãos de havaianos, filipinos e japoneses. Com o fim da segunda grande guerra, aquela tecnologia secular de pesca caiu no gosto de pesquisadores que tentavam entender a colonização de espaços e a evolução de seres vivos debaixo d´água. Daí até o desenvolvimento dos recifes artificiais, foi questão de tempo. Hoje, eles são usados principalmente no Japão, Estados Unidos e países banhados pelo Mediterrâneo.
Os japoneses jogam enormes blocos de concretos em sua costa rochosa para aumentar a oferta de peixes e modificar correntes marinhas, beneficiando fazendas de mariscos com mais nutrientes. A terra do sol nascente tem mais de 500 projetos de grande porte. Os norteamericanos usam recifes artificiais para pesca esportiva e turismo. Uma lei aprovada pelo Congresso de lá permite às empresas de petróleo transformar velhas plataformas em parques marinhos. Antes, eram explodidas. A economia do setor chega a US$ 30 milhões, em parte aplicados na gestão das novas áreas protegidas.
Espanha, Grécia, Itália e outras nações mediterrâneas têm uma preocupação comum: preservar os bancos de posidonia , uma das poucas formas de vida daquele mar de águas cristalinas. Com folhas, caules e raízes, essa vegetação é morada de inúmeras espécies, como um manguezal submerso. Um prato cheio para a pesca de arrasto. A saída encontrada pelos governos daqueles países foi distribuir recifes artificias pela costa, formando barreiras às redes comerciais. As estruturas também são usadas para maricultura.
O problema não é desconhecido dos brasileiros, especialmente dos que vivem na Região Sul, onde frotas de navios de arrasto dizimam a vida marinha aproveitando a falta de fiscalização.
Experiências nacionais
Na costa brasileira há sete bancos com recifes artificiais, em áreas como o norte fluminense e no nordeste, onde até pneus velhos são usados. A mais nova empreitada ganha espaço sob as águas do litoral paranaense.
A partir de outubro, pelo menos seis mil recifes artificiais e 500 pesados dispositivos anti-arrasto, serão afundadas em regiões definidas em parceria com os pescadores. As estruturas protegerão a vida marinha da pesca predatória, principal causa da redução no número de espécies no mar, e prometem aumentar a oferta de peixes e outras espécies procuradas pelo mercado.
“A biodiversidade fornece recursos para a pesca artesanal e comercial, mas essa está se transformando em um garimpo de commodities e prejudicando cerca de cinco mil pescadores tradicionais só nas regiões de Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba, Guaraqueçaba e Paranaguá”, disse Frederico Brandini, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e colunista de O Eco . Ele também coordena o projeto para instalação dos recifes artificiais, que começou a ser pensado há dez anos, sob o guarda-chuva do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná.
Além da impor problemas e pesar no bolso da pesca comercial indiscriminada, os recifes artificiais ajudarão a repovoar porções do mar paranaense, apostam os especialistas. Conforme Brandini, um dos primeiros resultados da técnica é servir de abrigo a grande quantidade de filhotes de peixes, nascidos de larvas presas às estruturas de concreto.
“A diversidade de espécies em recifes artificias é até 40% maior do que em seus pares naturais. Navios afundados no Mar Vermelho abrigam até espécies já extintas em ambientes naturais”, comentou.
Outra possibilidade da tecnologia é reduzir a pressão sobre recifes naturais. Os norte-americanos conseguiram desviar metade do turismo para navios afundados. “Mergulhadores preferem navios e outras estruturas porque são mais complexas que as formações naturais”, avaliou Brandini. “Considero os recifes artificiais uma das mais interessantes e poderosas tecnologias para que os setores pesqueiro, turístico e de conservação dialoguem”.
O afundamento de recifes artificiais na costa paranaense custará cerca de quatro milhões de reais, bancados em sua maioria pelo governo estadual e Petrobras.
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