Reportagens

O preço de não atear fogo

Ari e Célia Picci são um casal excepcional que eu e Cristiane Prizibisczki encontramos nos arredores de Juína, no noroeste do Mato Grosso,...

Andreia Fanzeres ·
2 de outubro de 2009 · 17 anos atrás

Ari e Célia Picci são um casal excepcional que eu e Cristiane Prizibisczki encontramos nos arredores de Juína, no noroeste do Mato Grosso, no início deste ano. Eles vivem no assentamento Iracema, a cerca de 90 quilômetros da zona urbana, ou a mais ou menos quatro horas de ônibus por estrada de terra. Em 1998, Ari abriu as primeiras picadas de uma fazenda desapropriada pelo Incra e, à época, completamente coberta por floresta. Em dez anos, não sobrou praticamente nada. Quem não vendeu seu lote para algum fazendeiro grande da região, tira renda do espaço à base de desmatamento e da criação de gado, comprado sem nota fiscal pelos frigoríficos das cercanias. Ari e Célia tentam fazer diferente. Cobram do poder público políticas menos danosas à floresta que eles lutam para manter de pé, apesar dos incêndios rotineiros que acometem sua pequena propriedade. Eles não estão sozinhos. Algumas dezenas de famílias são assistidas pela Associação Juinense Organizada de Ajuda Mútua (Ajopam) e tentam tirar sustento de culturas que não exigem corte raso da floresta, mas os incentivos do governo para que eles mesmos acreditem nesta alternativa mingam a cada ano. Diante desta situação, vejam o que dizem Ari e Célia sobre as condições reais de se abandonar o uso do fogo na Amazônia.

  • Andreia Fanzeres

    Jornalista. Coordena o Programa de Direitos Indígenas, Política Indigenista e Informação à Sociedade da OPAN.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
27 de julho de 2026

Entidade do agronegócio defende prevenção diante do avanço dos eventos extremos

Defensora da mudança no licenciamento que isentou o Agro de estudo de análise ambiental, Associação Brasileira do Agronegócio pede reforço na preparação para eventos climáticos extremos após temporais

Notícias
27 de julho de 2026

Países avaliam pela primeira vez o progresso das metas globais de biodiversidade

Reunião das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica no Quênia analisa progresso das 23 metas estabelecidas no Marco Global de Kunming-Montreal até 2030

Reportagens
27 de julho de 2026

Maquiada de verde, mineração de terras raras impacta territórios  e amplia conflitos pela água em Goiás

Na corrida por minerais críticos, corporações utilizam discurso ambiental para avançar em áreas de interesse socioambiental

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.