A meta brasileira para o uso de biocombustíveis até 2020 pode gerar emissões de gases de efeito estufa que demorariam mais de dois séculos para serem compensadas. A razão é a necessidade de abertura de novas áreas para a pecuária na Amazônia e Cerrado devido a substituição dos pastos pelos biocombustíveis. Com base em um modelo matemático, o pesquisador David Lapola, Centro de Pesquisa de Sistemas Ambientais da Universidade de Kassel, Alemanha, e colegas concluíram que emissões do desmatamento da Amazônia e do Cerrado podem demorar 250 anos para serem compensadas com o uso de biocombustíveis. Para reduzir estes impactos, eles sugerem o aumento da densidade de animais nas fazendas e o uso de óleo de palma no lugar de grãos na produção de combustíveis. O estudo está sendo publicado hoje, na Proceedings Academy Nacional of Sciences (PNAS) (Vandré Fonseca)
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
À espera de um filhote de harpia
Saga de sete dias para capturar o filhote na Mata Atlântica baiana permite instalação de transmissor que ajudará a coletar dados inéditos sobre a espécie →
O que a invasão dos javalis nos ensina sobre o princípio da precaução
Quando os princípios ambientais recomendam cautela, avaliação prévia dos riscos e mais estudos, muitos provavelmente enxergam tais exigências como entraves burocráticos ao desenvolvimento →
BR-163 acelera exportações de soja, aumenta emissões de poluentes e aquece esquemas do mercado de carbono
Da história da construção da rodovia aos impactos atuais dos caminhões na saúde respiratória, as emissões movimentam a compra e venda de créditos de carbono “opacos” entre os estados do MT e PA →

