Reportagens

Pousada de observação de onças é fechada no Pantanal Sul

Novamente, empresário acusado de ceva de onças tem empreendimento fechado. Primeiro no Pantanal Norte e, agora, no rio Piquiri, Pantanal Sul.

Fábio Pellegrini ·
8 de julho de 2011 · 10 anos atrás
Foto: PMA-MS
Foto: PMA-MS
Campo Grande (MS) – Após fechamento de seu empreendimento turístico em 2009 por determinação judicial ocasionada por denúncias do Ministério Público à Secretaria do Meio Ambiente de Mato Grosso, o empresário e biólogo Charles Alexander Munn III teve mais um empreendimento irregular embargado. O fato aconteceu ontem, cinco dias após a inauguração do novo “Acampamento de onças Southwild”, construído na margem oposta do rio Piquiri, em Mato Grosso do Sul.

Durante operação de fiscalização na terça-feira (5), a Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA-MS) constatou irregularidades na pousada “Southwild Acampamento de Onça Ltda”, que desenvolvia atividades de ecoturismo sem autorização do órgão ambiental competente. Além disso, os policiais constataram que a pousada estava sendo construída em área de preservação permanente (APP), em um terreno de 20 mil metros quadrados.

De acordo com a PMA-MS, o responsável presente no local durante a fiscalização disse que a empresa pretendia construir nove barracões de 11 metros por 4,5 metros para observação de onças pintadas que transitam pela região. Na ocasião a pousada já estava recebendo turistas norte-americanos e alemães. No site da empresa estava sendo anunciada a inauguração do novo local para o dia 1º de julho passado.

Desta vez, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a obra foi paralisada, e a empresa, que é sediada em Várzea Grande (MT), recebeu multa no valor de R$ 30 mil reais. O proprietário responderá por crimes ambientais de funcionamento de atividade potencialmente poluidora sem autorização ambiental, que prevê pena de três a seis meses de detenção e destruição de área de preservação permanente (APP). A pena para este crime é de um a três anos de detenção.

Equipe de pesquisas especializada

A empresa é conhecida no Pantanal Norte (Pantanal de Mato Grosso), onde atuou por vários anos e em 2009 teve seu fechamento determinado por órgãos governamentais após denúncias de crimes ambientais no Parque Estadual Encontro das Águas, localizado entre os municípios de Santo Antônio de Leverger e Poconé.

Seus proprietários, o biólogo norte-americano Charles Alexander Munn III e a esposa, Mariana, foram denunciados por construir uma estância e desenvolver, sem licenciamento, atividades turísticas na unidade de conservação. Foram ainda acusados de usar ceva – promover a distribuição de porções fartas de carnes (porcos, carneiros e jacarés) em pontos estratégicos para atrair animais, como onças – para garantir que turistas filmes e fotografem os animais.

A empresa foi multada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso em um milhão de reais. Na ocasião, o Ministério Público requereu também apreensão de barracas tipo tenda, chalana e embarcações menores utilizadas nos trabalhos de da chamada “focagem” de onças.

Foto: PMA-MS
Foto: PMA-MS
Os donos da empresa informam no site de divulgação do acampamento que o nome formal do local é Centro de Pesquisas de Onças Pintadas (Jaguar Research Center), o “primeiro e único lugar no mundo onde é garantida a observação de onças, antas e ariranhas”.

E continua: “Entre 2005 e 2010 foram registradas 1.200 observações de onças em 900 dias. Nenhum outro local no mundo pode oferecer tantas onças por dia. Muitos desses felinos estão acostumados com a presença humana em pequenas embarcações, das quais se pode observar as onças em distância tão curta. Além disso, em 2010, 100% de nossos visitantes avistaram ariranhas e 90% avistaram antas durante o dia”, diz o texto. Os pacotes turísticos de três noites para seus acampamentos custam quase 4.500 dólares.

No site eles afirmam ainda que as “equipes especiais de pesquisa” ao longo de sete anos têm monitorado em barcos a presença dos grandes felinos “acostumados com a presença humana” na região, descansando ou caçando nos barrancos. “Todas as operadoras de turismo voltadas para o segmento de observação de onças estão tentando imitar nosso sucesso”, alegam. Apesar das promessas de observação de onças, o texto assinado por ambos esclarece que é proibido qualquer tipo de caça na propriedade.

Charles Munn foi procurado pela reportagem de O Eco, mas não quis falar à reportagem de O Eco.

{iarelatednews articleid=”19976,22892,20140″}

Leia também

Reportagens
3 de dezembro de 2021

Novo Código de Mineração propõe aprovação automática de milhares de processos parados na ANM

Proposta pode afetar mais de 90 mil requerimentos que aguardam aprovações técnicas e ambientais; medida ainda interfere na criação de unidades de conservação e dificulta demarcação de terras indígenas

Notícias
2 de dezembro de 2021

Lideranças indígenas do Pará cedem à pressão de invasores e aceitam reduzir seu território pela metade

Caciques da TI Apyterewa disseram ao STF que, em “acordo” feito com invasores, aceitam redução de 392 mil hectares de suas terras

Notícias
2 de dezembro de 2021

Com maioria no Conama, governo federal impõe mudanças no CNEA

Conama aprova alterações no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas e impõe mais burocracia e custos para a participação da sociedade civil no conselho

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta