Amanhã, em Goiânia (GO), governo, as organizações não-governamentais The Nature Conservancy e Conservação Internacional e a Universidade Federal de Goiás (UFG) apresentarão dados que registram 18.900 quilômetros quadrados desflorestados no Cerrado entre 2003 e 2007. Os números são indicativos, obtidos com imagens de menor resolução.
A área é semelhante a 16 cidades do Rio de Janeiro e ao que a Amazônia perdeu entre agosto de 2004 e agosto de 2005. Pode parecer pouco, mas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Cerrado tem cerca de 2 milhões de Km2, enquanto a Amazônia possui pouco mais do que o dobro de sua área.
Na ocasião, essas entidades fecharão uma parceria para que o bioma seja eletronicamente vigiado, de início nos moldes do Deter, já usado na Amazônia, possibilitando a emissão de alertas sobre os principais focos de destruição. O sistema, no entanto, começa a ser montado daqui a três meses. Será o primeiro passo para que, em futuro incerto, o Cerrado tenha um monitoramento por satélite de grande precisão, como o Prodes, que acompanha há mais de duas décadas as derrubadas na floresta tropical.
É o Cerrado, principal alvo do avanço do agronegócio nas últimas décadas e bioma ainda não reconhecido como patrimônio nacional, começando a vislumbrar um sistema de monitoramento para suas perdas de vegetação. Os dados estarão disponíveis na página do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da UFG.
Tão arrastado quanto o início da vigilância informatizada é a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 53/2001, do senador Demóstenes Torres (DEM/GO). O texto dá status de patrimônio nacional ao Cerrado e à Caatinga. Está quase tudo pronto para a votação no plenário da Câmara. No entanto, o presidente da casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), arrasta tudo com a barriga, sob pressão de parlamentares ruralistas. Agora, só um difícil acordo de lideranças ou uma pressão externa muito forte para liberar aquelas engrenagens.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Quem são os atingidos por desastres?
Há mais de dez anos desde o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (MG), faltam informações e sobram consequências →
Nascimento de filhote de harpia em reserva da Bahia é comemorado pela Ciência
Desde 2018 não eram registrados nascimentos na unidade. Filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é passo importante para evitar extinção →
Em homenagem ao cão Orelha, governo aumenta multa para quem maltrata animais
Novo decreto amplia de R$500 para R$ 1.500 valor da multa mínima em caso de maus tratos aos animais. Governo também estabeleceu a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais →


