
“Tanto a indústria de equipamentos quanto os operadores de energia eólica da Espanha têm interesse em investir no Brasil, visto o grande potencial, mas a condição para que isso aconteça é a definição de um marco regulatório seguro, que dê confiança aos investidores no longo prazo, a exemplo do que ocorreu na Espanha no ano 2002”, palavras de José Luis Ruiz Navarro, secretário da Comissão Permanente da Indústria, Turismo e Comércio do Congresso dos Deputados da Espanha.
Presidente da Comissão de Energias Renováveis da Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR) ressaltou que o projeto de lei que cria uma Política Nacional de Energias Renováveis tramita no Senado e é o primeiro passo do Brasil para definição de um marco para energias renováveis. Ele ressaltou que o plano propõe metas que o governo brasileiro terá de seguir e a criação de um fundo para incentivar a pesquisa e o desenvolvimento. Os recursos viriam dos combustíveis fósseis. “O grande mérito do trabalho da comissão foi a pressão política para que o governo passasse a dialogar com o Congresso e a sociedade sobre este tema”, afirmou, conforme nota da GP Comunicação.
ABEEólica e a consultoria Baker Tilly Brasil realizaram uma proposta de desoneração tributária para toda a cadeia produtiva eólica e que projeta a instalação de 10 mil MW ao longo de dez anos no país. Pela proposta, o custo do investimento pode cair 30% com isenção de tributos e abrir espaço, inclusive, para a energia eólica ir para o mercado livre, disputando espaço com a hidrelétrica.
O potencial brasileiro para geração de eólica é de pelo menos 143 mil MW, mas segundo pesquisas realizadas a partir da medição de ventos em até cem metros de altitude, pode chegar a 300 mil MW. “Temos de repensar o sistema de abastecimento elétrico nacional, que, na contramão do que o mundo está fazendo, reduziu a participação das energias renováveis de 85% para 80% e elevou a participação das térmicas”, afirmou o presidente da ABEEólica, Lauro Fiúza Júnior.
A decisão do governo brasileiro de criar um leilão específico, segundo Fiúza, deu uma importante sinalização para o setor, e a resposta foi o cadastramento de 441 projetos para o leilão, o que, caso sejam viabilizados no futuro com a realização de leilões anuais, irão somar um total de 13.341 MW de capacidade instalada. Contudo, o governo fixou o preço teto do leilão de R$ 189, o que é um valor bem abaixo do necessário para viabilizar os projetos.
“O governo quer comprar energia a preço europeu, mas aqui o investidor precisa gastar 60% a mais, além de ter um custo financeiro também muito superior”, observou Fiúza, ao acrescentar que, se o Brasil quer crescer e se transformar em uma grande nação, precisa ter energia farta, segura e distribuí-la de modo a minimizar os problemas técnicos, e para isso é importante ter fontes complementares como a eólica.
“O Brasil tem hoje geração de 105 mil MW de energia elétrica, suficiente para atender o consumo, mas os problemas ocorrem devido à grande extensão da rede – como se verificou no recente apagão –, e aí seria muito importante utilizar a energia eólica e a bioeletricidade para distribuir melhor essa energia”, defendeu o executivo.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
((o))eco é selecionado pela 6ª vez para o Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental
Há 22 anos referência em jornalismo ambiental, ((o))eco reafirma sua relevância ao ser anunciado como um dos contemplados da 6ª edição da iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em cooperação com a UNESCO. →
Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena
Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais →
PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada
Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares →
