O sequestro da temática ambiental por movimentos sociais desejosos de credibilidade e de uma fatia do bolo, o tal socioambientalismo, tem sido nocivo à conservação da natureza. Por exemplo. O Estado de São Paulo publicou reportagem em 6 de dezembro com o bombástico título Custo de obras sobe até 30% por causa de exigências ambientais com as reclamações de setores, especialmente dos eternos defensores das megahidrelétricas, contra as medidas de compensação e mitigação “socioambientais”.
O exemplo citado se refere à hidrelétrica de Machadinho, no sul do Brasil, cujos gastos socioambientais somaram quase 30% do valor da obra, de R$ 1,15 bilhão. Segundo o jornal, parte dos recursos foi gasta com a indenização de 1.272 propriedades afetadas pela usina. Outra parte foi aplicada na construção de hospitais, obras de saneamento, áreas de lazer, como um balneário de águas termais, e até uma igreja para a comunidade. Além disso, foram replantadas 1,1 milhão de espécies nativas.
De meio ambiente nesse pacote só mesmo as obras de saneamento e de recuperação de áreas desmatadas, que deveria ser vista como investimento para impedir o assoreamento precoce da represa, e não como despesa. Indenizar proprietários que perderam terras e benfeitorias nem se discute, e é ridículo chamar isso de gasto ambiental. O mesmo vale para custos com saúde, áreas de lazer e igrejas.
Colocar este tipo de coisa na conta o meio ambiente é confundir deliberadamente as estações e colocar a culpa de muitos dos “entraves ambientais” no departamento errado. (Fábio Olmos)
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