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Falácia nos custos ambientais de Belo Monte

Professor da USP que deveria ter participado de audiência no Senado diz que investimentos em mitigação apresentados pela Eletrobras não passam de propaganda política.

Salada Verde ·
11 de junho de 2010 · 16 anos atrás
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Brasília – O professor Célio Bermann, da Universidade de São Paulo (USP), acusa a Eletrobras de distorcer informações durante audiência sobre a hidrelétrica de Belo Monte (Pará) realizada no Senado. Em reunião na última terça-feira (1º), a Subcomissão Temporária para Acompanhamento das Obras da Hidrelétrica de Belo Monte, ligada à Comissão de Meio Ambiente realizou assembléia para discutir questões orçamentárias da obra. Na ocasião, o diretor de engenharia das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), Valter Luiz Cardeal de Souza, afirmou que dos R$ 19 bilhões investidos na obra, R$ 3,5 bilhões serão destinados aos custos socioambientais.

Bermann declara ainda não ter conhecimento do orçamento ambiental, mas garante que de que o valor não é verdadeiro. “Na planilha orçamentária que foi apresentada no leilão não havia discriminado o valor a ser aplicado nos custos ambientais. Isto ainda não foi definido. É pura propaganda. E me constrange o fato de propaganda ser dada como verdade, quando deveríamos ter uma referencia amparada em dados substanciais”, completou o pesquisador.




Segundo Valter de Souza, os custos socioambientais se referem a realocação da população em áreas próximas ao reservatório, por meio do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Região do Xingú, que incluirá implantação de infraestrutura de saneamento básico, novo núcleo urbano e programa de geração de emprego e renda.

Professor associado do Instituto de Eletrotécnica e Energia, o nome de Bermann também estava cotado para participação na reunião, mas não pode comparecer devido à falta de um convite formalizado. Assim como ele, o mesmo aconteceu com Rogério Leite, do Conselho Administrativo do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Ambos estavam previstos para falar sobre as implicações da usina, em contraponto com os representantes dos órgãos e empresas da esfera pública.

O professor da USP diz perceber “má vontade” por parte do governo em ouvir posições críticas à construção da hidrelétrica, mas não crê que isso tenha afetado a sua convocação para presença no debate. “Prefiro acreditar que isso ainda não tenha chegado ao Poder Legislativo”, afirmou. Na reunião, também foi ouvido Hélvio Guerra, representante da comissão de licitação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).(Nathalia Clark)

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