Salada Verde

Plano de proteção a tubarão não funciona

Com o futuro dos tubarões a ser discutido pela FAO, entidades lançam publicação em defesa da espécie, com estatísticas impressionantes

Redação ((o))eco ·
28 de janeiro de 2011 · 11 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Carcaças de tubarão em porto de Kesennuma, no Japão. Foto: Shawn Heinrichs

Uma análise de especialistas considera que, após uma década de aprovado, o plano internacional para a conservação de tubarões ainda não está funcionando. Com 30% de todas as espécies de tubarão ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção, há pouca evidência de que o plano tem contribuído significativamente para a melhoria da conservação e manejo desses animais.

A publicação “O Futuro dos Tubarões: Uma revisão da ação e da inatividade”, utiliza informações de pesca fornecidas pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) para identificar os 20 países e outras entidades que mais capturam tubarões, e depois avalia se foram tomadas todas as medidas de gestão e conservação da espécie segundo o acordo de 2001. Segundo a publicação, apenas 13 países dos 20 maiores consumidores desenvolveram planos nacionais de ação para a proteção dos tubarões e não se sabe como esses planos foram implementados ou que tenham sido eficazes.

Os 20 maiores pescadores de tubarões são responsáveis por mais de 640 mil toneladas por ano, cerca de 80% do total de tubarões capturados mundialmente. As 10 nações no topo desta indigesta lista, na ordem, são: Indonésia, Índia, Espanha, Taiwan, Argentina, México, Paquistão, Estados Unidos,  Japão e Malásia. Apenas as 4 primeiras nações da lista representam mais de 35% de todos os tubarões capturados anualmente, com base em seus próprios dados relatados.

A publicação, produzida pela Traffic, uma rede de monitoramento do comércio da vida selvagem e do Pew Environment Group, foi lançada antes de uma reunião crucial do Comitê da FAO sobre a Pesca (COFI), que se realizará de 31 de Janeiro a 04 de fevereiro em Roma, Itália. (Daniele Bragança)

 

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Comentários 2

  1. Paulo diz:

    Açâo ja no MPF e STF

    ponto

    Sem churumelas


  2. Adriano Ricardo Damato Rocha de Souza diz:

    Não devemos confundir a importância das unidades de conservação de proteção integral com o reconhecimento de algumas falhas que aconteceram no processo histórico de criação de algumas delas, que em muitos casos ignorou o contexto específico local ao prescindir de estudos aprofundados na lógica da proteção e controle criando polígonos que incluíram vértices muitas vezes de importância questionável. Os termos de compromisso, assim como o acordo de gestão e a CCDDRU, são instrumentos que acompanham a possibilidade de desafetação ou recategorização das áreas protegidas, e que podem corrigir essas falhas viabilizando o esquibírio ecológico e promovendo o desenvolvimento sócioambiental. Neste sentido, ao contrário do que pode parecer, este processo ressalta a importância das unidades de proteção integral e nos ensina muito sobre o processo de criação delas e sobre a importancia do aprofundamento dos estudos e do planejamento de gestão da área a ser protegida, que deve levar em consideração todas as relações ali existentes, em todas as suas concepções.