Salada Verde

FAO revisa para baixo demanda de alimentos em 2050

Previsão de menor consumo de biocombustível e diminuição no ritmo do crescimento populacional joga número de estimativa para baixo.

Daniele Bragança ·
10 de fevereiro de 2012 · 10 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Plantação de arroz feita em terraço na China. Foto: Wikipédia
Plantação de arroz feita em terraço na China. Foto: Wikipédia
 

Ao contrário das previsões divulgadas anteriormente, José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), afirmou que o mundo precisará de menos alimentos do que se pensava em 2050. A novidade foi apresentada na semana passada por Graziano em discurso feito no seminário “Como alimentar o mundo”, realizado em Genebra para executivos do agronegócio.

Com novas informações disponíveis, a FAO refez a conta e concluiu que será necessário um aumento de 60% na produção agrícola – tanto na produção de alimentos para consumo humano quanto na produção destinada a biocombustíveis – para suprir as necessidades dos nove bilhões de pessoas que deverão habitar o planeta em 2050. Trata-se de uma revisão para baixo de 10 pontos percentuais. A previsão anterior, de 2009, estimava que a produção global deveria crescer 70% (usando como média a produção de 2005 e 2007).

A nova conta levou em consideração a boa notícia da redução do crescimento populacional. A população de grandes países, como China e Brasil, crescerá mais lentamente do que as projeções mais antigas apontavam. Em outros países, como diversos da Europa Ocidental e o Japão, a população deve cair. Outro fator são as metas mais modestas de uso de biocombustíveis na Europa, o que garante que uma parcela maior das terras e da produção agrícola sirvam à produção de comida.

Há um lado triste na projeção de queda da procura por alimentos: é a constatação de que muitos países continuarão tão pobres que, mesmo com taxas de natalidade altas, demandarão pouca comida.

Mesmo com a previsão mais modesta, aumentar a produção de alimentos em 60% em cerca de quatro décadas é um desafio. A FAO prevê que a pressão de compra fará com que os preços continuem a subir no futuro próximo. Para atingir os objetivos de 2050, espera-se que quase toda a expansão da produção (90%) decorra de ganhos de produtividade, e que o restante exija um aumento da área plantada.

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

Leia também

Notícias
19 de outubro de 2021

Adote um Parque ganha nova fase com unidades de conservação da Caatinga

Nova etapa do programa de adoção das UCs criado por Salles terá foco em trilhas e incluirá dez áreas protegidas da Caatinga, entre elas, os parques nacionais da Chapada Diamantina e de Jericoacoara

Notícias
18 de outubro de 2021

Websérie traz o elo entre o ser humano e a natureza do Rio de Janeiro

Personagens que possuem uma conexão especial com a paisagem natural da cidade são apresentados na websérie do documentarista e fotógrafo carioca, Rafael Duarte

Salada Verde
15 de outubro de 2021

GLO ambiental não será renovada, anuncia Mourão

A operação acabou nesta sexta-feira (15). Atuação de militares não resultou em diminuição do desmatamento na Amazônia, mesmo com efetivo e orçamento maiores que dos órgãos ambientais

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta