Salada Verde

Indústria brasileira fará parte de plano de redução de CO2

Setor reduzirá em 5% emissão de gases até 2010. Assinatura do compromisso marca nova postura da indústria, que era contrária à metas.

Daniele Bragança ·
23 de agosto de 2012 · 14 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Da esquerda pra direita, ministro Fernando Pimentel, do MDIC, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, assinam acordo de cooperação técnica. Foto: Valter Campanato/ABr
Da esquerda pra direita, ministro Fernando Pimentel, do MDIC, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, assinam acordo de cooperação técnica. Foto: Valter Campanato/ABr

A Confederação Nacional da Indústria e o governo assinaram acordo para a redução em 5% das emissões do setor industrial até 2020. A cooperação técnica entre a CNI e os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Meio Ambiente prevê a conclusão em 2015 do chamado Plano Indústria – Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas do Setor Industrial, assinado na última terça-feira (21/08), em solenidade na sede da CNI, em Brasília.

Serão 7 setores industriais com metas de redução de emissões: alumínio, cimento, papel e celulose, químico, cal, vidro e ferro gusa (aço). Cada um deles já tem o seu plano desenhado, a partir de diretrizes federais que passaram por consulta pública. Estão previstas, ainda, contrapartidas econômicas para as ações de mitigação.

Para o presidente da CNI, Robson Braga Andrade, o acordo demonstra o esforço da indústria em atuar com o setor público na direção de uma economia de baixo carbono. “A parceria com o setor industrial é um desafio para o Brasil, como país que avançou e tem avançado cada vez mais na redução das emissões relacionadas ao desmatamento”, ressaltou a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira.

A discussão em torno das emissões de gases de efeito estufa não é apenas uma questão ambiental, mas exigência do mercado. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, pela primeira vez na história do país governo e indústria assumem a tarefa de mudar o paradigma na área ambiental, consoante com um “cenário de competitividade internacional mais acirrado”.
Reforçar o diálogo com o governo foi um dos compromissos firmados pela CNI durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), como forma de viabilizar o cumprimento de metas por parte do setor, de forma voluntária e adaptando-se à nova necessidade do mercado, destacou o presidente da CNI, Robson Braga Andrade.

A Confederação  Nacional da Indústria nem sempre pensou assim. Em 2009, quando o governo brasileiro estava preparando as metas que seriam apresentadas na COP de Copenhague, a CNI chegou a divulgar documento afirmando que não queria a aprovação de metas de redução de emissão para a indústria. O argumento principal era que as metas não poderiam “impor limites ao crescimento econômico, ao consumo de bens essenciais e à melhoria da qualidade de vida e nem sujeitar o país a barreiras comerciais”. 

*Com informações da Agência Brasil e Ascom/MMA.

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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