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“Nunca foi tão evidente a relação entre ciência e política”, diz Tatiana Roque

Em entrevista exclusiva a ((o))eco, a professora e candidata a deputada federal pelo PSB-RJ falou sobre suas propostas e correlação de forças na próxima legislatura do Congresso

Gabriel Tussini ·
24 de agosto de 2022
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

“A gente tem que desconstruir a ideia de que é esse modelo do agronegócio que permite o combate à fome”, afirmou a candidata Tatiana Roque, na segunda entrevista da série especial de ((o))eco para a cobertura das Eleições 2022. A live ocorreu na noite desta terça-feira (23), com transmissão pelas redes sociais oficiais do site (Youtube, Facebook e Twitter). A candidata, que disputa vaga na Câmara dos Deputados pela segunda vez, falou com Marcio Isensee e Sá, de ((o))eco, sobre temas como mudanças climáticas, agronegócio e a correlação de forças na próxima legislatura do Congresso. 

Tatiana classificou a agenda ambiental do governo Bolsonaro como um “projeto político de devastação”, que busca enfraquecer e atacar os órgãos fiscalizadores. Segundo ela, isso caminha junto ao negacionismo climático, um discurso que se alastra na sociedade por conta da distância entre a população e a ciência produzida nas universidades. Para a candidata, só haverá mudanças positivas nessa realidade se a agenda científica se popularizar. “Nunca foi tão evidente a relação entre ciência e política”, frisou.

Na linha do também candidato a deputado federal Ricardo Galvão (REDE-SP), primeiro entrevistado em ((o))eco Nas Eleições 2022, a pessebista destacou a importância da formação de uma bancada da ciência na Câmara. Segundo ela, as alianças amplas, inclusive com setores do agronegócio, fariam um eventual governo Lula (PT) “um governo de muita disputa, de muito cabo de guerra”, afirmando que, caso eleita, estaria entre os parlamentares que puxarão “o cabo de guerra pro lado de cá, na causa ambiental, no enfrentamento às mudanças climáticas”. Já em caso de reeleição de Jair Bolsonaro (PL), a tática seria de redução de danos. “A gente vai ter que pensar numa barreira de contenção mesmo, porque o objetivo deles vai ser destruir tudo”, afirmou.

A candidata defendeu mudanças no modelo agrário brasileiro, criticando as altas emissões de gases poluentes na atividade e afirmando que a adaptação precisa ser “da ordem de uma reforma agrária”, com alternativas ao latifúndio. “Teremos que investir mais em agricultura familiar, responsável pela maior parte da nossa alimentação. A gente tem que desconstruir a ideia de que esse modelo do agronegócio permite o combate à fome. Não é verdade, tem um monte de trabalhos aí mostrando isso”, argumentou.

Para o Rio de Janeiro, estado onde concorre, Tatiana defendeu o uso de recursos já existentes – e não utilizados – para a recuperação ambiental. “Já existe uma verba da Petrobras, que é uma compensação por causa do COMPERJ, para a restauração florestal das matas ciliares da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara. Daria uma área quase equivalente à Floresta da Tijuca”, ressaltou. E, relembrando os deslizamentos de terra que a cada ano produzem tragédias, como recentemente ocorreu em Petrópolis, a candidata defendeu uma mudança na política habitacional. “Os programas habitacionais vão ter que levar em conta as mudanças climáticas. E a gente vai ter que ter uma política específica para habitações em terrenos de risco, que muitas vezes vai ser mudar de local”, afirmou.

  • Gabriel Tussini

    Estudante de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estagiário em ((o))eco e interessado em meio ambiente, política e no que não está nos holofotes ao redor do mundo.

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Comentários 1

  1. Gaspar da Silva Alencar diz:

    Oue combate a fome é a divisão de riquezas: alimentos, roupas, remédios, Saberes, um cuidando do próximo. Quem tem mais ajudar quem não tem.