O Eco+ | Edição #284 | março/2026
22 de março de 2026
Há cinco meses, demos uma missão para a repórter Débora Pinto: Investigar o estado da arte dos sistemas alimentares no Brasil, tendo como foco as discussões sobre as mudanças climáticas e a necessidade de transição para modos de produção mais resilientes. Desta proposta nasceu ‘Clima à Mesa’, especial formado por três longas – e essenciais – reportagens, que orgulhosamente publicamos esta semana. Quando se fala em sistemas alimentares, muito se discute sobre agricultura convencional e formas menos agressivas de produção de alimentos. A primeira reportagem investiga as assimetrias das políticas públicas de investimento no campo e como os fomentos ainda preferem a velha forma prescrita na Revolução Verde: maquinário, monocultura e uso de agrotóxicos. A segunda analisa como se dá a produção de alimentos na maior região metropolitana do país e de iniciativas que vão de hortas urbanas à produção predominantemente em pequena escala da agricultura familiar. E para fechar, a última reportagem da série explica o que é e como funciona a transição agroecológica, que propõe novos paradigmas que articulam conservação ambiental e justiça social. A comida está na mesa, esperamos que os pratos agradem ao paladar do leitor.
Uma nova estrada está sendo aberta na Paraíba, justamente na área de circulação de espécies ameaçadas, como o macaco-prego-galego (Sapajus flavius) e o guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul), além de dezenas de outros animais que dependem do Corredor Gargaú-Utinga. Esse corredor conecta a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Engenho Gargaú à Mata da Utinga. A pedra no meio do caminho da conservação são as estradas e pontes que formam o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, que vem sendo conduzida pelo governo do estado com falhas no licenciamento ambiental. Segundo informações levantadas pelas repórteres Duda Menegassi e July Portioli, não foi considerada uma alternativa de traçado que preservaria um importante fragmento de Mata Atlântica – que integra o Centro de Endemismo Pernambuco, região da Mata Atlântica ao norte do rio São Francisco, que se estende de Alagoas ao Rio Grande do Norte. Trata-se de uma das áreas mais ricas e únicas em biodiversidade do país, mas que já perdeu mais de 95% de sua cobertura original e continua sendo alvo em nome do desenvolvimento.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
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Guardião de carbono. Negligenciado pelas políticas públicas, o Cerrado ocupa cerca de 26% do território brasileiro e abriga mais de 12.000 espécies de plantas e uma fauna diversificada. É também pontilhado por áreas úmidas alimentadas por aquíferos subterrâneos que servem como nascentes para dois terços dos principais cursos d’água do Brasil. Além da produção de água, as áreas úmidas do Cerrado também possuem outro superpoder: armazenar carbono em seus solos encharcados. De acordo com um novo artigo publicado hoje no New Phytologist, as áreas úmidas do Cerrado armazenam carbono em uma densidade cerca de 6 vezes maior do que a vegetação da floresta amazônica. [Eos]
Canto registrado. A noitibó tem “uma reputação sobrenatural” graças a um mito de que rouba leite de cabras. Acredita-se que o número de noitibós registrados no Parque Nacional de South Downs, na Inglaterra, tenha dobrado nos últimos cinco anos, após esforços de conservação. Setenta e oito dessas aves esquivas, conhecidas por seu canto “melodioso” ao pôr do sol, foram registradas no ano passado. [BBC]






