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Desmatamento cai em fevereiro e é o menor desde 2017

SAD registra menor índice para o mês em oito anos. Pará, Amazonas e Acre lideram o ranking no período. Degradação também diminuiu no período

Karina Pinheiro ·
31 de março de 2026

A Amazônia registrou, em fevereiro de 2026, a menor área desmatada para o mês em oito anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O levantamento publicado na última sexta-feira (27), aponta uma queda de 42% em relação ao mesmo período de 2025, com a área derrubada recuando de 119 km² para 69 km²,  equivalente a cerca de 5 mil campos de futebol poupados em apenas um mês. Trata-se do melhor resultado para fevereiro desde 2017, dentro da série histórica monitorada pelo sistema de alerta do instituto.  

Apesar do recuo expressivo, o desmatamento segue concentrado em estados historicamente pressionados pela expansão agropecuária e pela grilagem de terras públicas. Pará, Amazonas e Acre lideraram a derrubada no período, com destaque para a região conhecida como Amacro (Acre, Amazonas e Rondônia), onde o avanço da fronteira econômica continua impulsionando a perda de cobertura florestal. 

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Além do desmatamento, o SAD também registrou diminuição das nas áreas degradadas, como são conhecidas as áreas impactadas por atividades como queimadas e extração seletiva de madeira, que não chegam a derrubar completamente a cobertura vegetal, mas comprometem sua integridade ecológica. Em fevereiro, foram detectados 13 km² de florestas degradadas, o que representa uma redução de 93% frente ao mesmo período do ano anterior (211 km²).

Desmatamento acumulado

Os dados mostram que entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o que registrou a maior área desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, com 398 km². O acumulado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km²

Outro ponto de atenção é a incidência de desmatamento em áreas protegidas. O monitoramento indica que parte dos alertas ocorreu dentro de unidades de conservação e terras indígenas, como é o caso da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia, considerada a unidade de conservação mais desmatada destes sete meses. No acumulado do calendário do desmatamento, que vai de agosto a julho, os números também apontam redução em relação ao ciclo anterior. 

Em levantamentos anteriores, o estado do Mato Grosso figurava com frequência entre os estados líderes em desmatamento, posição que, no acumulado de agosto a fevereiro de 2026, passou a ser ocupada pelo Acre. Com uma redução de 51% na área desmatada, Mato Grosso caiu da segunda para a quarta colocação no período. Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, o avanço do Acre está associado ao fortalecimento recente da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como Amacro, que abrange áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. “Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas”, afirma. A pesquisadora ressalta que a mudança no ranking não representa uma perda de protagonismo de Mato Grosso, mas indica uma expansão territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal.

Degradação se mantém concentrada no oeste da Amazônia

A degradação florestal na Amazônia Legal permanece concentrada em poucos estados, com Mato Grosso e Pará respondendo pela maior parte da área impactada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Juntos, os dois estados somaram 1.932 km², sendo 1.255 km² em Mato Grosso e 677 km² no Pará, o que corresponde a 85% de toda a degradação registrada no período. Apesar da liderança, ambos apresentaram quedas expressivas, de 86% e 96%, respectivamente.

O Acre aparece na sequência, mas em sentido oposto: foi um dos poucos estados a registrar aumento, com alta de 50% na área degradada, que passou de 72 km² para 108 km². O dado reforça o deslocamento recente da pressão para o oeste da Amazônia. Também houve crescimento em Roraima, onde a degradação avançou de 50 km² para 55 km². Nos demais estados da região, o cenário foi de retração, com quedas significativas em Amazonas, Rondônia e Maranhão, indicando redução generalizada deste tipo de impacto ambiental.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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