A nova presidenta da Fundação dos Povos Indígenas (Funai) foi empossada nesta sexta-feira (10), na plenária principal do Acampamento Terra Livre 2026, em Brasília. A solenidade ocorreu no fim da manhã, e contou com a presença de coordenadores do órgão e do Ministério dos Povos Indígenas, além de lideranças e leituras das demandas do movimento indígena nos territórios.
Membros do governo federal e autoridades também marcaram presença no evento. A ex-ministra do Meio Ambiente e Clima, Marina Silva, esteve presente no ATL e subiu ao palco junto aos demais para a assinatura da posse. Além dela, a deputada federal Célia Xakriaba (PSOL) é da agora ex-ministra do MPI, Sônia Guajajara.
Foram anunciadas ações do ministério para a próxima gestão, voltadas para o tema de segurança alimentar, fortalecimento de políticas públicas nos territórios e também uma portaria de instituição de grupos técnicos para identificação de territórios indígenas a serem demarcados.
“Nós tivemos a primeira mulher a assumir a presidência da Funai, a ex-deputada federal Joenia Wapichana, e agora, dando sequência a esse processo da gestão indígena do atual governo, nossa companheira, Lucia Alberta Baré, tomando posse, assim como, em vários outros espaços governamentais, estamos com as nossas representações indígenas, assumindo a Sesai [Secretaria de Saúde Indígena], assumindo o MPI [Ministério dos Povos Indígenas], assumindo CRs [Coordenações Regionais], assumindo os Distritos Sanitários de Saúde Indígena das regiões. Isso faz parte desse processo de luta e conquista do movimento indígena brasileiro”, celebrou o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Kleber Karipuna.
Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Educação pela mesma instituição, Lucia Alberta Baré construiu sua carreira a partir de experiências diretamente vinculadas à realidade dos povos indígenas da Amazônia. Indígena do povo Baré, nascida na região do Alto Rio Negro (AM), antes de assumir a presidência da Funai esteve à frente da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat), quando atuou para o aprimoramento da gestão socioambiental nos territórios e defendeu o fortalecimento da presença indígena nos processos decisórios e a integração de conhecimentos tradicionais na formulação de políticas públicas.
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