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Para conservar a biodiversidade (de verdade) é preciso atuar com base em evidências

Reunidos na UCBio, pesquisadores demonstraram que as Unidades de Conservação são instrumentos estratégicos e insubstituíveis, cuja existência depende de um pacto entre ciência, políticas públicas e sociedade

Marcio Isensee e Sá ·
8 de junho de 2026

O painel “Perspectivas culturais, ecológicas e científicas para a existência das Unidades de Conservação”, realizado na manhã desta segunda-feira (8) na Conferência Nacional de Unidades de Conservação (UCBIO), reuniu especialistas para debater a importância vital das Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral como salvaguardas da biodiversidade, enfatizando a necessidade de uma gestão baseada em evidências científicas sólidas.

O painel foi composto pelos pesquisadores Fernando Fernandez (UFRJ), Reuber Brandão (UNB) e Márcia Chame (Fiocruz), as apresentações giraram em torno do papel das UCs integrais não apenas como repositórios de espécies, e com exemplos reais da vivência profissional dos palestrantes, exemplificam a complexidade (e urgência) da gestão efetiva para enfrentar a crise climática e extinções em massa.

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Fernando Fernandez abriu o debate destacando que grande parte da riqueza biológica brasileira atual só existe devido às UCs de proteção integral, que funcionam como fronteiras contra a devastação. O conceito de “floresta vazia” ou defaunação – presentes em sua atuação profissional, alerta que a mera cobertura vegetal é ilusória se os grandes animais, responsáveis por funções ecológicas cruciais como a dispersão de sementes e a estocagem de carbono, forem exterminados pela caça. ”Se quisermos que as florestas fixem carbono, temos que ter fauna dentro delas”, disse. 

Para o fundador da ONG Refauna, o manejo eficaz depende de monitoramento contínuo e rigor científico: “Políticas de conservação e unidades de conservação precisam ser baseadas em evidência, não em pensamento desejoso ou em noções a priori de quem conserva e quem não conserva”, analisa Fernandez.

Complementando essa visão, Reuber Brandão expandiu a definição de biodiversidade, descrevendo-a como um “maquinário” complexo onde a interação entre os componentes é tão vital quanto a presença das espécies em si. Segundo o pesquisador, é “o funcionamento dessa máquina que cria as propriedades que a gente chama de serviços ecossistêmicos”, e destacou, por exemplo, o papel das UCs na saúde física e mental humana, fonte de bioativos que são medicamentos e até indicador de desenvolvimento socioeconômicos de países.

Por fim, Márcia Chame trouxe a dimensão da integração entre os patrimônios natural e arqueológico, utilizando o Parque Nacional da Serra da Capivara como estudo de caso. Ela demonstrou como a ciência foi o pilar da criação e da gestão desse parque, que protege o maior acervo de pinturas rupestres do mundo e também a biodiversidade da Caatinga. 

Chame detalhou os desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e a pressão do turismo desordenado, que ameaçam tanto as pinturas quanto o ecossistema. Ao sintetizar a necessidade de equilibrar o uso público com a preservação, ela afirmou: “O turismo é importante, mas a gente tem que ordenar e tem que usar a ciência para fazer essa ordenação”.

  • Marcio Isensee e Sá

    Marcio Isensee e Sá é comunicador e gestor de conteúdo, especializado em jornalismo e audiovisual socioambiental. Atua na lid...

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