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Em Parintins, ecobags pintadas à mão transformam a biodiversidade amazônica em arte

Artista utiliza ecobags como suporte para retratar a biodiversidade amazônica e ampliar o alcance da arte produzida na região

Karina Pinheiro ·
29 de junho de 2026

Parintins – Antes de dominar pincéis, tintas e tecidos, o artesão Diego Oliveira enxergava figuras onde quase ninguém via. Aos cinco anos, pegava retalhos de roupa da mãe e moldava formas que, em sua imaginação, já eram pássaros e animais. Sem saber, começava ali uma relação com a arte que hoje se traduz em pinturas sobre ecobags, telas e outras superfícies, sempre inspiradas na biodiversidade amazônica.

Nascido e criado em Parintins, Diego cresceu cercado por uma das maiores expressões culturais da Amazônia: o Festival de Parintins. Foi observando o trabalho do tio na confecção de alegorias para o Boi Garantido que percebeu que aquele interesse infantil podia se transformar em profissão.

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“Quando eu via aquelas formas, comecei a entender que a arte era feita de linhas, de formas. Depois, aos dez anos, vendo meu tio trabalhar nas alegorias do Garantido, aquilo me chamou muito a atenção. Eu percebi que aquilo já existia dentro de mim”, conta.

Foto: Karina Pinheiro

A partir dali, buscou formação em cursos de desenho, pintura e oficinas artísticas. Também encontrou inspiração em artistas consagrados da cidade, como Pito Silva e Frasson Die, referências que, segundo ele, ajudaram a lapidar sua técnica.

“O talento precisa de orientação. Os professores e os artistas que conheci foram fundamentais para que eu aperfeiçoasse meu trabalho.”

O incentivo da família também foi decisivo. Diego faz questão de destacar o apoio da mãe e das irmãs durante toda a sua trajetória, desde os primeiros desenhos até a formação em Licenciatura em Artes Visuais e, posteriormente, em outra graduação na área de artes.

“Minha mãe foi tudo para mim. Ela sempre acreditou na minha dedicação. Minha família viu o quanto eu me esforçava e nunca deixou de me apoiar”.

Hoje, suas obras já participaram de exposições em cidades como Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas foi nas ecobags que encontrou uma forma de aproximar a arte do cotidiano das pessoas.

Durante uma feira de economia criativa em Parintins, Diego pinta as bolsas ao vivo. Cada peça recebe traços inspirados na fauna, na flora e na cultura amazônica. O processo pode levar entre 40 minutos e duas horas, dependendo da complexidade da ilustração.

Foto: Karina Pinheiro

“Cada bolsa é uma obra de arte. Não é apenas um acessório. A pessoa leva uma pintura que pode usar no dia a dia, viajar com ela e carregar um pouco da Amazônia por onde passar.”

As pinturas são feitas com tinta para tecido, mas esse é apenas um dos suportes utilizados pelo artista. Diego também trabalha com aquarela, grafite, pastel seco, pastel oleoso e pintura em tela, explorando diferentes linguagens das artes visuais.

Para ele, o desenho continua sendo um exercício de observação e sensibilidade, iniciado ainda na infância e aperfeiçoado ao longo dos anos de estudo.

Enquanto conversa com visitantes, continua pintando. Cada pincelada nasce diante do público, transformando uma bolsa de tecido em uma peça única. Em um território onde arte, natureza e identidade caminham juntas, Diego mostra que o fazer artístico também pode fortalecer a economia local, valorizar a cultura amazônica e levar para além das margens do rio uma narrativa construída pelas próprias mãos de quem nasceu e cresceu em Parintins.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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