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O Eco+ | Edição #304 | agosto/2026

O Eco+ | Edição #304 | agosto/2026

9 de agosto de 2026


A criação de um módulo para o cadastro de povos e comunidades tradicionais (PCTs) no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) representa avanço, mas ainda faltam regras nacionais que reconheçam as especificidades dos territórios coletivos. A automatização do sistema e a ausência de filtros para impedir sobreposições com imóveis privados podem favorecer cadastros irregulares e agravar conflitos fundiários. É o que denunciam Samuel Leite Caetano, presidente do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT); Francisco das Chagas, assessor técnico da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq); Diogo Rosa Souza, advogado do Instituto Socioambiental (ISA) e Thaíse Rodrigues, analista de políticas públicas do Instituto Socioambiental (ISA), em texto publicado com exclusividade em ((o))eco na última sexta-feira (10). Segundo a análise, 36% de toda a extensão dos territórios quilombolas mapeados na Amazônia Legal sofre sobreposição de CARs de imóveis rurais privados e de assentamentos, somando mais de 1,3 milhão de hectares. A pressão é exercida majoritariamente por grandes propriedades. Como alternativa, o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) elaborou, entre 2024 e 2025, uma proposta de regulamentação do CAR-PCT. A minuta prevê o cadastramento por perímetro territorial coletivo, o respeito à autoidentificação das comunidades e mecanismos para evitar sobreposições de imóveis privados. A proposta está em análise pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

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Nesta sexta-feira (07) foram divulgados os dados de alerta de desmatamento na Amazônia e Cerrado, que revelam que a política atual de combate à perda florestal está dando muito certo. Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores. Trata-se da maior redução da série histórica para o período acumulado, iniciada em 2016, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O resultado marca o fim do calendário do desmatamento no governo Lula III [2023-2026], que conseguiu reverter a tendência de alta iniciada no governo Temer e intensificada durante todo o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Segundo o levantamento, foram identificados 2.874,38 km² de áreas sob alerta de desmatamento, contra 4.495 km² registrados nos 12 meses anteriores. No Cerrado, os alertas de desmatamento também apresentaram redução, embora em ritmo mais moderado do que o observado na Amazônia. Nos últimos 12 meses, foram registrados 5.119,46 km² de vegetação nativa sob alerta de supressão, uma queda de 7,8% em comparação ao período anterior. De acordo com o presidente Lula, a evolução da política de combate mostra que é possível alcançar a meta de desmatamento zero em 2030.

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O crédito rural pode impulsionar o desmatamento, mas seus efeitos variam conforme o contexto territorial. É o que discutem Alexandre Mansur e Desirêe F. Galvão na coluna desta semana, em ((o))eco. Os colunistas repercutem a pesquisa “Crédito rural e desmatamento na Amazônia: por que o contexto é importante”, da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S). A análise, que considera 452 municípios do bioma amazônico entre 2006 e 2017, combinou registros detalhados de financiamento com dados de uso da terra obtidos por satélite. Os resultados identificaram cinco contextos territoriais distintos, que refletem diferentes estágios de ocupação, organização fundiária, integração econômica e disponibilidade de áreas para expansão. A conclusão é que não há uma resposta única para os efeitos do crédito rural sobre o desmatamento, mas os dados indicam que onde a expansão territorial encontra mais limites e as instituições são mais estruturadas, o financiamento pode favorecer ganhos de produtividade sem ampliar a pressão sobre novas áreas de floresta. “De acordo com os achados de Patricia Ruggiero e Paula Pereda (ambas da Universidade de São Paulo) e Alexander Pfaff (da Duke University, nos EUA), o efeito do crédito sobre o desmatamento muda conforme se avança pelo território amazônico. Nas fronteiras mais remotas, um aumento de 1% no crédito pecuário pode elevar a perda florestal em cerca de 0,5%. Em regiões intermediárias, onde a agricultura se expande sobre pastagens e remanescentes de vegetação nativa, um crescimento de 1% no crédito agrícola está associado a uma alta de aproximadamente 0,18% no desmatamento. Já nas áreas mais consolidadas, o aumento do crédito não apresentou efeito estatisticamente significativo sobre a perda florestal”.

Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Sobrevida de um ameaçado. Um novo censo encontrou sinais animadores para o urso-pardo-marsicano, uma subespécie que vive apenas nos Apeninos Centrais, na Itália. A população ameaçada de extinção está ampliando sua área de ocorrência, e a pesquisa destaca a importância dos corredores de coexistência para conectar habitats e reduzir conflitos entre animais e pessoas. [Rewilding Europe].

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