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Um dia para dar uma pausa nas redes e se conectar ao mundo

O Dia do Reset propõe passar 26 de setembro longe das telas e conectado a outras atividades e eu posso provar que períodos prolongados offline aumentaram minha atenção, sono e percepção

9 de setembro de 2026
  • Dennis Hyde

    Economista, estrategista de Conservação e Uso Público e fundador do Instituto Entreparques. Trabalha unindo finanças e biodiv...

Uma das coisas que mais sinto falta do período em que percorremos o Brasil na expedição pelos parques nacionais é de ficar offline. Desde aquela subida de montanha, que requer atenção plena, quando deixamos o celular só para fotos, até as expedições mais longas, em que você literalmente esquece o que é estar conectado. É na desconexão que a verdadeira conexão acontece: com a natureza, com a comunidade e consigo mesmo. Há quem diga que ficar desconectado hoje é um luxo e um privilégio.

Muitas vezes eu ficava frustrado em chegar num lugar longínquo e achar uma Starlink com a famosa senha “de um a oito”. Reconheço sua importância para as comunidades que vivem distante dos grandes centros, para os estudantes, numa emergência, até para reduzir custos. Mas por que será que nós, pessoas da cidade, chegamos a um lugar lindo e o primeiro que queremos fazer é conectar ao wi-fi? Por que nesses lugares nós optamos por conectar nossos celulares ao invés de deixá-los em modo avião?

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O Brasil lidera o ranking de país mais ansioso do mundo segundo a Organização Mundial da Saúde, com cerca de 9,3% da população afetada por transtornos de ansiedade. Essa pode ser uma das respostas à pergunta anterior. Nós podemos, mas dificilmente optamos, por permanecer offline por algum período de tempo, mesmo sabendo dos benefícios.

Eu cheguei a ficar aproximadamente 15 dias offline e posso atestar: o nível de atenção aumenta, a gente sonha e lembra mais dos sonhos, a qualidade do sono é melhor. No primeiro dia é estranho, você olha para o celular e faz os movimentos repetitivos de abrir o jornal, depois o email, então as redes sociais. E nada acontece. No segundo dia você “aproveita” para ler aquelas mensagens marcadas como não lidas há meses e até responde algumas delas. No terceiro dia você se surpreende com o quanto dura a bateria do seu telefone em modo avião. No quarto dia você já não leva o celular para o banheiro e bate um desespero: “o que estará acontecendo no mundo?”, “será que alguém está precisando de mim?”. Até que no quinto dia você se convence: “não há nada que eu possa fazer, a não ser me preocupar, o mundo acontece sem mim” e, por fim, opta por não se preocupar mais.

Contemplar a paisagem, bem longe da internet. Foto: Dennis Hyde/Entreparques

O mais interessante é que no dia em que você “volta” ao mundo online, você lê algumas mensagens, responde outras, e logo desconecta. É cansativo ficar conectado, é bem mais confortável prolongar essa sensação e possibilidade ao máximo.

Eu tenho um convite para você: que tal se dar ao luxo de ficar offline no dia 26 de setembro, um sábado? É o chamado Dia do Reset, idealizado pela OBB e realizado pela primeira vez no Brasil. A ideia é desconectar das telas e se conectar com outra coisa, a OBB criou inclusive uma lista com ideias do que fazer e em breve alguns eventos serão divulgados

O que fazer para se preparar? Que tal trocar uma ideia com os amigos e bolar uma atividade sem telas? Declare aqui o seu desafio, do jeito e no tempo que você achar que faz sentido. 

Curta os benefícios: pegue aquele livro que está esperando para ser lido, uma canga e um lanche. Vá até um parque, deite na grama, na pedra, na areia, onde for confortável. Desligue seu celular e leia, durma, coma, observe. Curta! Ah, e se não tiver um livro esperando para ser lido, vou deixar a dica: Livro Entreparques Nacionais. Lembrando que apoiadores do ((o))eco têm um desconto de 20% nos livros da Documenta Pantanal.

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