As emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram 6% em 2025, impulsionadas principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. É o segundo ano consecutivo de queda nas emissões e o menor volume de emissões brutas desde 2018, segundo dados da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgados nesta quarta-feira (21).
Em números totais, o país lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) em 2025, contra 2,19 bilhões em 2024, quando as emissões já haviam caído 13%. Já as emissões líquidas, que descontam o crescimento de vegetação secundária e a remoção de carbono por áreas protegidas, foram de 1,41 bilhão de toneladas, uma queda de 9% e o menor valor desde 2012.
A queda foi puxada justamente pelo setor de mudança de uso da terra, onde o principal fator é a conversão de áreas de vegetação nativa. As emissões brutas do setor recuaram 15%, passando de 957 milhões de toneladas de gás carbônico 1 equivalente para 814 milhões. O resultado reflete o segundo ano consecutivo de redução do desmatamento em todos os biomas brasileiros, puxado principalmente pelo freio na destruição da maior floresta tropical do mundo.
Na Amazônia, as emissões associadas à mudança de uso da terra caíram 20% em relação a 2024. No Cerrado, a redução foi de 5%. Os dois biomas, entretanto, continuam concentrando 63% do carbono emitido pela destruição da vegetação nativa no país. Nos demais biomas, as quedas foram de 45% no Pantanal, 21% no Pampa, 18% na Caatinga e 5% na Mata Atlântica.
O Observatório do Clima destaca a guinada de controle de emissões dos quatro anos do governo Lula, com uma queda nas emissões líquidas por mudanças de uso da terra de 81% em relação a 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.
“Nos últimos quatro anos, o Brasil correu atrás do prejuízo e cortou em um quarto as suas emissões brutas. É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, afirmou David Tsai, do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), coordenador do Seeg.
O pesquisador destaca o papel crucial das políticas de comando e controle do desmatamento na redução das emissões, mas ressalta a necessidade de que o desempenho climático do Brasil avance em outros setores, como a agropecuária, atividade econômica mais emissora do Brasil, com 70% das emissões brutas (considerando as diretas e as indiretas do desmatamento).
Nesse cálculo, que inclui a perda florestal movida pelo setor, somente a pecuária emitiu 721 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025. Se fosse um país, o boi brasileiro seria o 11º maior emissor do planeta, à frente da Austrália, destacam os pesquisadores.

O setor de energia também merece atenção, com alta de 1,2% nas emissões em 2025 puxadas, sobretudo, pelo aumento do consumo de diesel no setor de transportes. Na geração de eletricidade, houve um aumento de 6% nas emissões de 2025 em relação a 2024. Mas pela primeira vez, a geração solar ultrapassou o conjunto das fontes fósseis, ainda que isso não tenha impedido o acionamento de termelétricas a gás.
“Quando olhamos para essa matriz brasileira e suas emissões, três características nos saltam aos olhos por serem tanto oportunidades quanto desafios: garantir que o sistema elétrico nacional esteja preparado para utilizar ainda mais as fontes variáveis de energia, eólica e solar; expandir a frota de veículos elétricos sem deixar de atrair passageiros para o transporte coletivo; e utilizar biocombustíveis de forma estratégica para diminuir nossa dependência de diesel fóssil e gasolina automotiva, que, inclusive, precisam ser, em parte, importados”, afirma Felipe Barcellos e Silva, do Iema.
O resultado de 2025 aproximou o Brasil do cumprimento da sua meta climática (NDC) prevista no Acordo de Paris. As emissões líquidas nacionais somaram 1,41 bilhão de de toneladas de CO2 equivalente, apenas 85 milhões de toneladas acima do limite de 1,32 bilhão estabelecido para o ano.
Com a redução do desmatamento da Amazônia em 2026, que chegou ao menor patamar desde 1988, quando começou o monitoramento do Inpe, a expectativa é que as emissões brasileiras caiam ainda mais no próximo ciclo de levantamento.
A pesquisadora Bárbara Zimbres do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização responsável pelos dados de uso da terra do Seeg, aponta ainda que, em 2025, as emissões por queimadas não relacionadas ao desmatamento – calculadas e reportadas separadamente por não fazerem parte da metodologia do Inventário Nacional de Emissões – também tiveram uma queda em relação a 2024. “No ano retrasado elas praticamente dobravam a emissão líquida; em 2025 o fogo representou apenas 42% dela”, conta.
O levantamento destaca ainda o setor de resíduos, que responde por menos de 5% das emissões nacionais, mas é o que tem aumentado mais as emissões proporcionalmente na série histórica do Seeg. O crescimento está associado ao aumento da população e, consequentemente, da produção de lixo. Neste setor, o encaminhamento de resíduos sólidos para aterros sanitários, aterros controlados e lixões é o principal responsável pelas emissões (65% do total), seguido pelo tratamento de efluentes domésticos (26%).
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