A maior parte dos fragmentos originais bem conservados de Mata Atlântica está nas mãos de terras privadas. Para tentar mantê-los desta forma, o Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) lançou o seu IX Edital de Projetos. Coordenada por The Nature Conservancy, Fundação SOS Mata Atlântica e Conservação Internacional, a iniciativa oferece, ao todo, 350 mil reais para o apoio à criação de RPPNs e confecção de Planos de Manejo. Os interessados devem enviar as propostas pelo correio até o dia 31 de agosto.
Atualmente, 670 mil hectares de florestas nativas no Brasil estão protegidos por este tipo de unidade, sendo que 130 mil ha deste total estão na Mata Atlântica. As oito edições anteriores ajudaram a criar e gerir mais de 450 reservas, ou o equivalente a 43 mil ha salvos de desmatamento, caça e outras atividades ilegais. Entre os critérios considerados relevantes no processo de seleção, estão a presença de espécies ameaçadas de extinção, importância da área para a proteção da biodiversidade e recursos hídricos, além da possibilidade de conexão com unidades de conservação próximas.
Em recente estudo, o programa analisou a importância das RPPNs para a preservação da flora e fauna no bioma. Os resultados foram impressionantes: em 127 espaços estudados, dentro de 88 municípios nos 17 estados de Mata Atlântica, existem ao menos três mil tipos diferentes de animais e plantas e 200 espécies endêmicas (exclusivas da região). 24% de toda a fauna brasileira com algum tipo de risco, assim como 13% da flora, também vivem ali. Este tipo de investigação garante a importância das estratégias por trás de RPPNs.
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