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O desconforto começou depois que foi comprovada uma denúncia, feita inicialmente pelo Greenpeace, em 2008, de que algumas as fontes de água população estavam contaminadas com radioatividade. A partir daí, a extração de urânio natural passou a ser malvista.
Ânimos tensos precisaram relaxar para os novos desdobramentos. O prefeito José Barreira, um conhecido defensor da INB, articulou a criação de uma grande comissão, com vários setores interessados: vereadores, secretário de Meio Ambiente, ONGs, Comissão Pastoral da Terra, Ministério Público, INB, Ibama e sindicato dos trabalhadores. O destino da carga estava em pauta. “A desmobilização não é rápida, mas acreditamos que tudo ficará resolvido com a análise da carga que será feita pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Ministério do Trabalho e Ibama”, disse. Enquanto isso, a carga foi estacionada no pátio do 17º Batalhão de Polícia Militar, no município vizinho de Guanambi. “Não queremos essa material aqui”, reclamou o prefeito Charles Fernandes. “Guanambi não tem nada haver com o problema”, declarou, comprovando que a desconfiança está se alastrando.
Depois de análises feitas, novas decisões que foram acatadas por todos. A carga foi transferida do quartel para as instalações das INB, em Caetité. Decidiu-se analisar com calma o teor de radioatividade do concentrado de urânio. Se fosse comprovado que era igual ao verificado no dia a dia dos mineiros, ele seguiria para reembalagem. Se a radioatividade foi maior, a carga retorna para as instalações da Marinha do Brasil.
Resta uma população em sobreaviso. Mesmo depois de a carga ser liberada pelo pessoal de fiscalização do governo, o agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Gilmar Ferreira dos Santos conta que as medições dos níveis de radiação feitas em paralelo, “por um médico radiologista com um contador geiger” apontaram níveis de radiação a 15 metros da carga superior ao verificado nas proximidades da mina. Outro indício do clima de desconfiança. Um carro de outra cidade parou e o motorista perguntou pelo padre Osvaldino. Foi o suficiente para se temer pela segurança de um dos críticos da exploração de urânio.
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