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Salvação gay

Parada em São Paulo e golfinhos de Fernando de Noronha servem para confirmar profecia de uma velha índia. Os gays tem tudo para dar ao mundo um futuro mais brilhante

2 de junho de 2005 · 21 anos atrás

“Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.” Profecia feita há mais de 200 anos por “Olhos de Fogo”, uma velha índia Cree. Isso está no site do Greenpeace.

Bom, a terra já adoeceu. Os pássaros já cantaram para subir e os mares já estão escuros. Os peixes já estão mortos. Os índios já perderam seu espírito e hoje se afogam em cachaça. Não há sinais de recuperação. O homem branco só vai considerar a terra sagrada no dia em que ela fizer brotar dinheiro. As raças se misturaram, o que não significa que tenham se unido e o símbolo do arco-íris virou bandeira gay. Sendo assim, de acordo com a profecia da velha índia, os gays serão os salvadores do planeta terra.

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Talvez nem tanto. Mas salvadores do Brasil, quem sabe. Bons exemplos vindos deles, por aqui não nos faltam. Tome-se a 8ª edição da Parada do Orgulho Gay em São Paulo. Reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar. Não houve registro de briga ou confusão. E o país bateu um dos seus poucos recordes que pode ser considerado positivo. A parada virou o maior evento GLS do mundo, superando sua “prima” de São Francisco, nos Estados Unidos.

Em Fernando de Noronha, golfinhos-rotadores, campeões de audiência, também levantam a bandeira gay. Nos últimos tempos, pesquisadores constataram comportamento homossexual em 21 deles, incluindo machos e fêmeas. Quem acreditava que o sexo entre esses animais se limitava à procriação, pode estar enganado. Em quase todos os casos, “os namoros” são praticados fora do período de reprodução. “Entre os machos, observamos que oito se limitavam ao sexo oral”, diz José Martins, coordenador do projeto Golfinho-Rotador.

O comportamento sexual dos golfinhos-rotadores consiste numa estratégia reprodutiva polígama, as atividades sexuais são realizadas sem fins reprodutivos. Os pesquisadores acreditam que eles pratiquem o sexo teoricamente “invertido” apenas em busca de prazer.

Os golfinhos vivem no paraíso, numa estrutura social muito fluída, livre de regrinhas hipócritas e preconceitos. São mais que inteligentes. São sábios. Driblam o mundo fazendo acrobacias. Ao invés de pesquisá-los somente com intenção de protegê-los de nós mesmos, o ideal seria aprender com eles. Os gays estão cercados de preconceito e provavelmente fartos de gente que lhes aponta o dedo sem antes olhar para o próprio rabo. Alguns fazem acrobacias, outros escondem a fantasia.

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