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Novo presidente do Senado carrega crime ambiental na ficha

Renan Calheiros (PMDB-AL) responde por danos ambientais em Alagoas, por pavimentar estrada no interior da Estação Ecológica de Murici.

Redação ((o))eco ·
1 de fevereiro de 2013 · 13 anos atrás
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Renan Calheiros (PMDB-AL) volta à presidência do Senado, com 56 votos. Foto: Antonio Cruz/ABr.
Renan Calheiros (PMDB-AL) volta à presidência do Senado, com 56 votos. Foto: Antonio Cruz/ABr.

Por 56 votos a favor, os senadores escolheram Renan Calheiros (PMDB-AL) para ser o novo presidente que comandará o Senado nos próximos 2 anos. A eleição aconteceu agora à tarde, onde apenas 22 senadores votaram contra Calheiros: Pedro Taques (PDT-MT) recebeu 18 votos, também houve 2 votos brancos e 2 nulos. Para ganhar, o vencedor precisava de 41 votos.

Calheiros renunciou para evitar a cassação em 2007. A lista de acusações contra ele inclui peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. As denúncias foram protocoladas na semana passada no Supremo Tribunal Federal, como informa o jornalista político Josias de Souza.

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Em Alagoas, reduto eleitoral do peemedebista, o Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública na Justiça contra o senador e a empresa Agropecuária Alagoas Ltda, por pavimentarem irregularmente com paralelepípedos uma estrada com 700 metros de extensão dentro da Estação Ecológica de Murici, sem a autorização do ICMBio, gestor da área.

Segundo o MPF, a estrada servia para escoar a produção da fazenda Agropecuária Alagoas, de propriedade de Renan. Em relatório do Instituto Chico Mendes, a estrada está a menos de um metro da floresta; em outros, está dentro da própria mata.

A relação de Renan Calheiros com a Estação Ecológica de Murici sempre foi conflituosa. Em coluna publicada aqui em ((o)) eco, em 06 de fevereiro de 2008, Fábio Olmos descreve o desmatamento da região, sob os desmandos da família Calheiros, que havia conseguido indicar para o Ibama local a chefia da unidade. Resultado: desmatamento do último reduto de Mata Atlântica em Alagoas não estava sendo nem sequer investigado.

Em agosto de 2009, uma nota publicada em ((o))eco conta uma história de comércio ilegal de animais silvestres ligado ao irmão do senador e dentro do seu reduto eleitoral em Alagoas.

Outro episódio envolveu a negativa do Ibama em autorizar a construção do estaleiro Eisa Alagoas, no município de Coruripe. A decisão provocou irá da bancada alagoana. Renan e outros parlamentares declararam que se o Ibama não voltasse atrás, projetos de interesse do órgão ambiental iam ficar parados no Congresso.

Renan pediu vista ao projeto nº 60/2011, que cria novos cargos para o Ibama. O recurso adia a votação de projetos. Na ocasião, o projeto saiu da pauta da Comissão de Constituição e Justiça: “Os deputados federais de Alagoas não digeriram essa informação. Por isso, vamos mostrar que a nossa bancada também tem poder de atuação. Muitos parla­mentares estão na Comissão de Meio Ambiente”, ameaçou. O caso envolvendo o toma lá,dá cá com o Ibama ocorreu em julho de 2012.

De tarde, manifestantes de organizações não governamentais foram barrados no Senado. Eles recolheram 300 mil assinaturas numa petição online contra a eleição de Renan Calheiros. A opinião de quem assinou não impactou a decisão de 70% dos senadores que votaram no peemedebista para o cargo de novo mandatário do Congresso Nacional.

Lembre-se que o presidente do Senado também é o presidente do Congresso e é o quarto na linha de sucessão presidencial, atrás do presidente da Câmara, do vice e da presidente, que ocupa o posto.

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