Salada Verde

Comissão aprova plantio de cana na Amazônia Legal

Proposta do senador Flexa Ribeiro tem por objetivo estimular a produção de biocombustíveis. Projeto segue para a Câmara dos Deputados.

Daniele Bragança ·
14 de maio de 2013 · 13 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), autor do projeto de lei que muda zoneamento da cana-de açúcar. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.
Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), autor do projeto de lei que muda zoneamento da cana-de açúcar. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.

Com cinco votos a favor, dois contrários e uma abstenção, foi aprovado hoje (14) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado o projeto de lei que permite o plantio de cana-de-açúcar em áreas alteradas nos biomas Cerrado e Campos Gerais da Amazônia Legal.

A proposta de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), altera o zoneamento da cana-de-açúcar, que proíbe o cultivo da cana nos biomas Amazônia e Pantanal e na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai.

O projeto (PLS 626/2011) já havia sido aprovado em março na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e, como tramita em caráter terminativo, se nenhum Senador apresentar recurso para votação no Plenário do Senado, a matéria segue direto para apreciação na Câmara dos Deputados.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Os argumentos em favor do projeto seguiram o discurso na linha desenvolvimentista. O principal argumento é o estimulo a produção de biocombustíveis à base de cana, atendendo as demandas futuras de etanol, o que levaria o desenvolvimento dos estados da região.

Os senadores Ivo Cassol (PP-RO), Valdir Raupp (PMDB-RO), Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e Cícero Lucena (PSDB-PB) e Acir Gurgacz (PDT-RO) votaram a favor. Os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Ana Rita (PT-ES) votaram contra, enquanto a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) se absteve.

Mudanças no zoneamento também na Câmara

Na Câmara dos Deputados, foi criada a “Subcomissão Especial para Avaliação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar no Território Nacional”, a pedido da bancada ruralista. A principal função da comissão é eliminar as restrições do zoneamento, que proíbe o cultivo de cana-de-açúcar nos biomas Pantanal e Amazônia e na bacia do Alto do Rio Paraguai e mudar a resolução do Conselho Monetário Nacional, que proíbe a concessão de crédito rural para produções canavieiras nessas áreas. O argumento também reside na importância do Brasil suprir seu mercado de biocombustíveis.

Na mesma direção há um Projeto de Decreto Legislativo que tenta anular a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que restringe a concessão de crédito rural a produtores de cana-de-açúcar de locais proibidos pelo zoneamento. O projeto é de autoria do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

O zoneamento da cana-de-açúcar exclui o plantio da cultura nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e em partes dos estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Por causa das restrições e por fatores climáticos, é no Cerrado onde se concentra a maior parte das usinas de cana.
 

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.