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Escolha feita

A saída de Marina Silva sacramenta de vez a vitória do desenvolvimentismo. Não que ele tenha alguma vez perdido no governo Lula. Foi avançando e forçando a ministra ao córner.

13 de maio de 2008 · 18 anos atrás
  • Sérgio Abranches

    Mestre em Sociologia pela UnB e PhD em Ciência Política pela Universidade de Cornell

A saída da ministra Marina Silva sacramenta de vez a vitória do desenvolvimentismo. Não que ele tenha alguma vez perdido no governo Lula. Foi avançando e forçando a ministra ao córner, até que seu ministério perigava terminar em vexame.

O PAC é uma afronta ambiental. O Plano Amazônia Sustentável foi deformado ao longo das discussões no governo e, ao ser apresentado, já vinha engolido pelo PAC. O governo toma, diariamente, na área do desenvolvimento econômico, da indústria, da agricultura, da energia e dos transportes, medidas que contrariam a possibilidade de uma política de mitigação das emissões de carbono e da mudança climática. A declaração recente da ministra Dilma Rousseff de que a Amazônia é a fronteira hidrelétrica do Brasil, só não é pior que sua declaração original, no lançamento do PAC, de que ela era a fronteira agrícola em expansão. O plano rodoviário para a Amazônia é uma tragédia e tem alternativa ferroviária, que jamais foi discutida. A recém lançada política industrial, não faz nem uma simbólica referência à questão ambiental. sustentável a longo prazo.

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A ministra fez um movimento político pensado e bem sucedido. Saiu por cima. O presidente Lula deixou os pruridos de lado e resolveu encerrar a fase de controle ambientalista do ministério do Meio Ambiente. A escolha está feita: quer um ministério pragmático, que apóie o desenvolvimentismo e lhe dê uma tintura de sustentabilidade. Os nomes cogitados até agora, de Carlos Minc (PT-RJ) e Jorge Vianna (PT-AC) cabem nesse figurino. Minc, o primeiro a ser vazado, faz uma gestão muito pragmática no Rio de Janeiro, que vem crescendo à base de indústrias de alto carbono. Tem sido elogiado por sua gestão eficiente, expedita. Jorge Vianna também deixou o governo do Acre com a fama de bom gestor. No plano ambiental seu governo foi, no mínimo, controverso. Mas é, sem dúvida, um pragmático. Não causará embaraços ao desenvolvimentismo, muito menos ao PAC na Amazônia.

Se nenhum dos dois emplacar, um terceiro ou quarto ou quinto nome, será buscado nesse mesmo lado. Dificilmente Lula vai tolerar conviver com outro ambientalista no ministério. A escolha está feita. Pode faltar um nome. Um dos traços característicos do governo Lula tem sido a dificuldade de escolher ministros, no meio de intensa disputa entre facções e partidos – especialmente PT vs PMDB – pelo poder. Mas do ponto de vista da orientação da política ambiental, duvido que haja muita surpresa.

O próximo ministro ou ministra não terá vida fácil. Enfrentará a comparação sistemática com as atitudes de Marina Silva. Contará com muita desconfiança do ambientalismo e da opinião pública mundial. Para implementar uma política de apoio ao desenvolvimentismo, terá que ter muita resistência à saraivada de contestações que enfrentará diariamente.

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