Análises

Noronha vale a pena

De Aline Andrade Olá Sérgio,Li sua coluna sobre Noronha e senti falta de uma temática complicada que é a falta de autonomia dos noronhenses sobre a gestão da ilha. Quem governa Noronha é o governo de Pernambuco, certo? A comunidade conta, no máximo, com a presença de dois conselheiros, se não me engano, na folha da administração. Uma grande reclamação de meu amigo Daniel, pescador que nos encantou com pesca de snorkel de garopinha na Cacimba e com o sashimi mais fresco do mundo, é justamente a exclusão dos locais nas tomadas de decisão sobre o futuro da ilha. Diferentemente de alguns noronhenses que conheci e que sonham em morar no Recife, Daniel pretende ficar até seus últimos dias na ilha e não vê solução outra que montar sua própria pousada num futuro longínquo, em terreno que pretende adquirir legalmente por tempo de uso. Reclama da falta de entusiasmo e união entre os locais que estão sempre submetidos às ações do Ibama que, por sua vez, parece não dialogar muito com a comunidade e fecha os olhos para as infrações abertamente cometidas por agentes do eixo Recife-Rio de Janeiro. Não há instrução alguma no sentido da comunidade se organizar em busca de seus interesses como, por exemplo, preços diferenciados de combustível e alimentos, uma das suas grandes reclamações. Não entendo como um governo de Estado ausente pode ter mais autoridade sobre os cuidados da ilha do que aqueles que residem e dependem de seus recursos naturais para sobreviver... Gostaria de saber sua opinião sobre o problema que, a meu ver, esbarra em grande parte com o que vc abordou na coluna dessa semana.Li, também a coluna sobre a questão dos parques e Áreas de Preservação Ambiental, etc, fizemos, em um dos programas que apresento aqui na TV em JF, onde buscamos esclarecer a importância do Urbanismo para a construção da cidadania, abordamos nossos parques e reservas ecológicas e, em uma das muitas tristes conclusões a que pudemos chegar, percebemos que existe um problema crucial de categorização das mesmas de acordo com suas especificidades e interesses. Um erro de nomenclatura emperra todo o desenvolvimento de políticas ambientais valorosas para a cidade e região. Outro ponto: a prefeitura não dialoga com Universidade e outros núcleos de produção de conhecimento para obtençao de dados técnicos e pareceres sobre essas áreas. Como pode? Ela isola acreditando preservar, afastando a população de um contato direto com a natureza e de uma consequente valorização desses espaços para a cidade e para a qualidade de vida urbana. É o caos. Estou realmente muito assustada com as informações que venho adquirindo através dos programas. O problema se estende para a preservação das bacias e mananciais, tão abundantes e fundamentais para toda a região. Não sei por onde começar a denunciar, ou reclamar, ou propor mudanças. Sei que não podemos deixar como está. O prefeito é super populista e só quer saber mesmo de "ficar bem na fita". A impressão que tenho é a de que ninguém sabe o que faz dentro da Prefeitura. E acho que não estou muito longe da verdade.Abraços.

Redação ((o))eco ·
21 de fevereiro de 2006 · 20 anos atrás

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