De: Marcos R. Maximino
Prezado Marcos Corrêa,
Ainda mais do que na minha profissão (sou Psicólogo Clínico), acredito que, ao dizer algo, um jornalista não pode avaliar o alcance ou mesmo a profundidade que suas palavras alcançarão nesta ou naquela pessoa que as escuta ou lê.
Foi o caso do seu artigo “Cals, o Outro Ministro da Reciclagem”– publicado há algumas semanas no ESTADO: além de esclarecedor, foi muito gratificante, para mim e para minha carreira, perceber que, dizer a coisa certa no momento errado, isto é, antes que as pessoas estejam prontas ou “maduras” o suficiente para perceber a importância daquilo que é dito – ainda que se trate de cientistas ou professores – pode levar até mesmo uma mente privilegiada – como a de Mario H. Simonsen – cometer erros grosseiros de avaliação e, assim, descartar propostas inovadoras, visionárias talvez, cujo único “pecado” é serem “inovadoras demais para o seu tempo”.
Foi de grande importância para mim saber que o ex-ministro Cals sofreu o mesmo constrangimento que eu próprio sofri em 1990, ao apresentar para a comunidade científica do Hosp. das Clínicas da FMUSP e da PUC-SP projeto de pesquisa que mostrava a importância de se utilizar os conceitos de Qualidade de Vida e da Promoção de Saúde para a prevenção das doenças mentais e/ou físicas. Na época, meu projeto de mestrado foi recusado e professores e colegas de profissão me ridicularizaram bastante.
Felizmente fui teimoso o suficiente para, no silêncio do meu consultório, continuar a aplicação desses conceitos àquelas pessoas que me procuraram desde que me graduei.
Para minha satisfação, no entanto, em 2000 e 2004, Martin Seligman, nos EUA, apresentou um projeto muito parecido com minha proposta, formulada em 1989, o qual foi amplamente aceito e vem recebendo financiamentos de mais de 500 mil dólares por ano para pesquisar “felicidade”; um projeto que parte dos mesmos fundamentos daquele projeto…
Em 2005, o Professor José Roberto Leite – Depto. de Psicobiologia da UNIFESP – olhou com interesse e seriedade para meu projeto, e estou iniciando um trabalho por lá.
Mas, assim como no caso da Energia, poderia ser o Brasil o detentor dos méritos do saber e da patente dessa tecnologia em Saúde, que hoje importamos de fora…
Marcos, obrigado!
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