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Dramas do passado prejudicam Bom Futuro

Início da retirada de gado da Flona Bom Futuro, em Rondônia, é adiado para maio. Promotora estadual reclama de demora em julgamento para expulsar invasores.

Salada Verde ·
17 de abril de 2009 · 17 anos atrás
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No último dia 27 de março, o ministro Carlos Minc anunciou que os grandes proprietários de gado dentro da Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, em Rondônia, teriam seis meses para retirar todos os animais. Segundo Cristine Suemasu, analista ambiental da unidade de conservação, esse prazo foi adiado. “A previsão é de que os trabalhos comecem em maio, pois está chovendo muito aqui na região e o Exército ainda não conseguiu entrar para montar as suas bases”.
 
Esta infra-estrutura é fundamental, já que funcionários do Ibama e do Instituto Chico Mendes ficarão na Flona durante três meses para notificar e cadastrar os moradores, além de controlar o fluxo de entrada e saída na área protegida, a fim de conter o desmatamento que já derrubou cerca de um quarto de sua vegetação original. Mas o trabalho não será simples. “Não temos confirmação de quantas cabeças de gado um proprietário precisa ter para ser considerado grande, médio ou pequeno. Além disso, seis meses é o prazo mínimo para que os animais saiam. Como são cerca de 40 mil e sua retirada não acontecerá ao mesmo tempo, é provável que demore mais”, avalia Suemasu.
 
O clima anda mesmo tenso neste devastado recanto da Amazônia. De acordo com um servidor da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sedam), que preferiu não se identificar, houve uma invasão constante da Flona por pessoas interessadas em derrubar a floresta. De certo, este fato contribuiu para que o volume de recursos movimentado pelo setor madeireiro no estado tenha crescido 6.000% entre 2006 e 2007.
 
Promotora do Ministério Público Estadual, Aidé Torquato Luiz informa que uma liminar federal emitida em 2002, há sete anos, exigia que os moradores fossem sumariamente retirados de Bom Futuro. “É permitido que populações tradicionais morem dentro de uma Floresta Nacional, assim como grupos extrativistas. Pecuaristas, como é o caso, nunca”, diz. Torquato explica que a sentença final sobre a liminar deve sair em breve, já que o processo passou por todos os trâmites burocráticos necessários.

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