Fotografia

Parque Augusta, uma chance para o verde encravada na cidade

Numa das regiões mais densas e valorizadas de São Paulo sobrou um naco de verde que pode virar torre ou um refúgio feito de Mata Atlântica.

Victor Moriyama ·
9 de dezembro de 2013 · 9 anos atrás
Fotos: Victor Moriyama | Clique para ampliar.
Fotos: Victor Moriyama | Clique para ampliar.

“A possibilidade da construção deste parque resgata um amor que eu havia perdido pela cidade de São Paulo”, diz Eliane Langer, que mora no bairro e começou a frequentar o chamado parque Augusta, um terreno de 24.752 metros quadrados, localizado entre a Rua Augusta e a Marquês de Paranaguá.

O local é um dos últimos resquícios intactos de Mata Atlântica na cidade de São Paulo, e é alvo de disputa entre ativistas e construtoras. Os moradores do bairro defendem que a Prefeitura compre o terreno, crie o parque e proíba construções. Do outro lado, os proprietários, as incorporadoras Cyrella e Setin, querem construir duas torres, uma comercial e outra residencial. Ao mesmo tempo, afirmam que a mata continuará preservada e aberta ao público.

A criação do Parque Augusta é uma proposta antiga e foi protocolada na Câmara dos Vereadores pela Sociedade dos Amigos do Bairro Cerqueira César. Neste mês, a Câmara dos Vereadores aprovou a proposta e aguarda sanção do prefeito Fernando Haddad (PT). Entretanto, Haddad declarou que a aquisição do terreno não faz parte das prioridades de sua gestão. O valor da área do parque é de R$100 milhões.


Ver Parque Augusta num mapa maior

No fim do seu primeiro mandata, em 2008, Gilberto Kassab emitiu um decreto transformando o local em área de utilidade pública. O decreto foi revogado duas vezes, em 2010 e 2012.

Apesar de ainda não ter acontecido as desapropriações, as construtoras não têm autorização para derrubar a mata, pois ela é tombada pelo patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade.

Hoje, o terreno se divide em duas partes, a primeira é propriedade privada, ocupada por um estacionamento que absorve a demanda de veículos ligados ao comércio local e a duas grandes universidades. A outra parte é pública. É nela que está a floresta.

Nos últimos meses, coletivos de arte, moradores locais e grupos culturais como a Matilha Cultural assumiram a frente da briga pela construção do Parque Augusta e ocuparam o local com oficinas de arte e educação ambiental. No fim de semana, dias 7 e 8 de dezembro, o movimento promoveu um evento com shows e piquenique que teve, segundo os organizadores, mil visitantes por dia.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas.
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500
height=”500

 *editado às 17h do dia 13/12, com ajustes feitos a partir das observações da leitora Tatiana Bianconcini.

Leia também
Em São Paulo, ciclovia do Rio Pinheiros é expandida
Copenhague aposta em mini parques
Urbanização ameaça áreas de Mata Atlântica do Rio de Janeiro

  • Victor Moriyama

    Victor Moriyama é um fotojornalista brasileiro baseado em São Paulo.

Leia também

Reportagens
5 de dezembro de 2022

COP15 pode definir mecanismo para proteger áreas em alto mar

Bráulio Dias também avalia que o novo governo deve fazer o Brasil retomar seu protagonismo global em conservação da biodiversidade

Salada Verde
2 de dezembro de 2022

Lula afirma que deve criar “Secretaria dos Povos Originários” com status de um Ministério

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (02), o presidente eleito esclareceu que fará os anúncios dos nomes do primeiro escalão depois de ser diplomado, em 12/12

Reportagens
2 de dezembro de 2022

Encurralados pela degradação, morcegos ainda resistem em áreas de pasto no Pantanal

Estudo revela que mesmo em menor abundância, morcegos ainda buscam comida e abrigo em áreas de pasto. Resultado mostra importância da manutenção de sobras de floresta em áreas degradadas

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta