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Carta – Entrada proibida

De Wilson CavalcantiSão José dos Campos - SP Caro Eduardo Pegurier:Li sua matéria “Entrada proibida”, publicada em 04.03.2006 em “O Eco”....

Redação ((o))eco ·
14 de março de 2006 · 20 anos atrás

De Wilson Cavalcanti
São José dos Campos – SP

Caro Eduardo Pegurier:

Li sua matéria “Entrada proibida”, publicada em 04.03.2006 em “O Eco”. Infelizmente, o seu texto adota sem grandes questionamentos o discurso do Representante do Ibama (Administrador do Parque). Lamento discordar dele e de você.

Tenho sido freqüentador mais ou menos regular do Parque de Itatiaia ao qual, entretanto, não vou há mais de um ano. Pelo seu texto, eu me enquadro na faixa inferior da “maioria dos visitantes”, sempre me hospedo no Hotel Simon, mas não tenho carro maravilhoso nem “câmeras digitais reluzentes, botas e mochilas das melhores marcas”. Vou a Itatiaia apenas para curtir o Parque e o Hotel Simon é a melhor relação custo-benefício em termos de serviços de hospedagem. O Parque nada nos disponibiliza como alternativa…

O foco do Representante do Ibama (Administrador do Parque) não deveria estar dirigido a aprivatizar as propriedades particulares, mas a fazer com que todos (todos!) os que usam o Parque paguem de forma justa por tal uso. Já escrevi a “O Eco” há algum tempo para falar justamente do descaso da portaria do Parque ao cobrar essas mesmas taxas que todos achamos insuficientes. Nem esta pouca verba eles cuidam de arrecadar! O Administrador do Parque poderia ao menos treinar seus funcionários para cobrar essas pequenas taxas adequadamente…

É fato que as taxas são irrisórias e mal cobradas. O Ibama poderia – deveria! – trabalhar para aumentar seus valores e instituir métodos mais modernos de cobrança. Também, deveria pensar em formas alternativas de obter mais receitas. Os modelos de muitos outros parques mundo afora que têm patrimônio natural em geral inferior ao de Itatiaia, mas que são bem melhor conservados e administrados, deveriam ser seguidos, copiados.

O Representante do Ibama vai pelo caminho fácil, o de culpar os outros (os que detêm propriedades, direito adquirido, os usuários dos hotéis) pela ineficiência sua e da instituição a que representa…

Entre a administração do Parque (e do Ibama) e a dos hotéis de Itatiaia que prestam bons serviços (e por isso cobram justamente!) a cidadãos que, como eu, querem visitar esse patrimônio de todos os brasileiros, certamente fico com a dos hotéis… Um abraço,

Resposta de Walter Behr – Chefe do Parque Nacional do Itatiaia

Prezado Sr. Wilson Cavalcanti,
Respondo aos seus questionamentos:

Meu foco não é resolver a situação fundiária do Parque Nacional do Itatiaia. Esta é uma determinação do IBAMA-BSB, que formou um grupo de trabalho para lidar com esta questão.

Meu foco, logo que cheguei, foi justamente atender a questões emergenciais de uso público que estavam até colocando em risco a segurança dos visitantes, como uma grande erosão na estrada de acesso ao Parque. Logo me juntei ao grupo que fez gestões junto ao DNIT para a realização da obra emergencial de contenção, que está quase pronta.

Outra questão, foi justamente a organização da cobrança e o controle do acesso, que o Sr. corretamente coloca que era uma das nossas falhas. Desde o dia 01 de janeiro de 2006 instituimos um novo sistema de cobrança e controle, que já mostra seus resultados. Nos primeiros dois meses deste ano já recebemos 2000 visitantes a mais que o mesmo período do ano passado e aumentamos nossa arrecadação, o que trará melhorias ao Parque.

Maiores informações sobre o Parque e sobre a questão fundiária, o Sr. poderá obter no nosso site: www.ibama.gov.br/parna_itatiaia e/ou comparecendo na reunião do nosso Conselho Consultivo do dia 18 de março de 2006.

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