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Carta – Soja do bem II

De Maurício Galinkinv Prezado senhor Ronaldo,A partir da leitura atenta de sua correspondência, vejo que houve alguma dificuldade na percepção do...

Redação ((o))eco ·
16 de junho de 2006 · 20 anos atrás

De Maurício Galinkinv

Prezado senhor Ronaldo,

A partir da leitura atenta de sua correspondência, vejo que houve alguma dificuldade na percepção do que afirmei ao repórter de O Eco. Não sei se me expressei mal, se ele foi muito econômico ao inserir nossa conversa no texto ou se o senhor leu o texto já com alguma concepção prévia. Mas isso não importa.

Perguntado pelo repórter se conhecia o projeto da CI no sudoeste goiano, disse a ele que sim, e que o considerava muito interessante mas, no meu entender, sendo uma ação que exige conversar e convencer fazendeiro por fazendeiro, tomaria um tempo enorme para ser replicada em todo Cerrado. Minha conclusão, para ele, foi que quando isso acontecesse o Cerrado já estaria acabado…A referida “visão de conjunto” era relativa a esse projeto, que no meu entender só focaliza o micro, ao trabalhar fazenda por fazenda. Em momento algum tratamos de outros projetos, e muito menos usei qualquer expressão “pejorativa”, como o senhor afirma. Antes pelo contrário, ressaltei ao repórter que a CI é uma organização que merece respeito, onde tenho amigos (acho eu…). Sempre defendi a auto-determinação dos povos e, por similaridade, defendo a auto-determinação das organizações, cuja responsabilidade de condução e escolhas cabe às suas respectivas direções. Posso concordar ou discordar, mas sempre respeitei e respeito essa autonomia.

Tenho o hábito de falar a todos o que penso, e essa minha perspectiva sobre esse projeto específico já havia sido manifesta muito tempo atrás (antes mesmo do episódio da BUNGE), e o Paulo Gustavo já a conhecia, o que nunca impediu que nos relacionássemos muito bem. Tenho por ele, como também pelo Roberto Cavalcanti, o maior respeito pessoal e profissional.

Minhas críticas são sempre públicas e sempre sujeitas a revisão, se a informação estiver incompleta, ou o foco equivocado, ou ainda os fatos tenham mudado as circunstâncias, sei lá. E espero assim prosseguir no tempo que me resta.

Quanto à BUNGE, até onde sei, continua queimando lenha de espécies nativas em todo Cerrado, inclusive aqui em Luziânia, e na minha percepção não se pode aceitar que seu projeto com a CI a redima da ativa destruição do Cerrado…

Aproveito para parabenizá-lo pelas atividades recentes da CI no Cerrado, desejando-lhe sucesso na função de diretor.

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