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Carta – Aterro x lixão x coleta seletiva

De Marcello Corral Caro editor,Gostaria de falar um pouco sobre essa história de lixão em Niterói. Sei que, às vezes, não podemos ir frontalmente...

Redação ((o))eco ·
4 de julho de 2006 · 20 anos atrás

De Marcello Corral

Caro editor,

Gostaria de falar um pouco sobre essa história de lixão em Niterói. Sei que, às vezes, não podemos ir frontalmente contra poderes, mas cumpro o meu papel de escrever. Não aceito a hipocrisia de algumas ongs e parte da imprensa que aceita argumentos baseados em articulações políticas para descartar a idéia da coleta seletiva. Não preciso mostrar a vocês, jornalistas de um site ambiental, a viabilidade econômica, social e ambiental de sua implantação. Com toda certeza conhecem modelos, exemplos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

É muita politicagem nos bastidores dessa novela. A empresa SA Paulista, numa articulação entre o governo do PT e o antigo prefeito de São Gonçalo, Dr. Charles, fizeram uma negociata em que um lindo lixão se estabeleceria no distrito do Rio do Ouro, entre Niterói e São Gonçalo – uma área rural e preservada por fazendas e sítios. Este “aterro sanitário” serviria a Niterói, Maricá, São Gonçalo e Itaboraí. Esta empresa que é um braço da Empreiteira Nova Dutra promete um aterro limpo e próspero.

Primeiro, cabe aqui falar que essa novela ainda deve voltar para São Gonçalo. Os urubus engravatados de engenheiros ambientais estão na Justiça brigando pela implantação desse lixão no bairro do Rio do Ouro. A SA Paulista está cumprindo seu papel, que é expandir seus negócios e articulação entre empresas, governos etc. Dinheiro.

Por que o município de Niterói não implanta um avançado projeto de coleta seletiva, em toda a cidade, já que ela se envaidece em ter uma qualidade de vida superior as outras?

E seguindo…a pergunta que cabe é a seguinte: Por que os governos municipais, todos, num programa estadual, não investem em coleta seletiva? Coleta seletiva de grande porte. Implantar os “famosos” programas de educação ambiental em escolas empresas. É tão simples. As cidades não precisam de lixões, sejam eles modernos ou atrasados!

Precisam de empregos e trabalho. Em São Gonçalo, existem vários depósitos. Eles compram plásticos, vidros, latas, papelão e outros materiais. Muitos catadores abastecem esses entrepostos de ferro, aço, vidro, alumínio, plásticos e outros materiais recicláveis. São empresários mal orientados e pessoas sem oportunidades que encontraram no lixo uma saída. Imaginem com o apoio governamental e empresarial, que riquezas não produziriam?

Com a participação efetiva das prefeituras, um programa bem elaborado de coleta seletiva o quadro poderia ser outro, fechando o ciclo com a melhoria da qualidade de vida dos moradores das cidades, economizando recursos naturais e financeiros. Neste quadro, a necessidade de lixões e gente catando lixo seriam problemas terminados. Percebe-se, então, a fome das empreiteiras e políticos no lixo urbano.

Seria muito bom ver uma coleta seletiva implantada nos municípios da região metropolitana do Rio. Acho que a imprensa poderia dar uma força mostrando como acontece a coleta informal, como funciona a coleta em cidades que já a colocaram em prática, a indústria de transformação e a real necessidade de existir aterros sanitários.

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